Moraes acusa Mendonça de usar PF para inclui-lo em delação, e ministro rebate
A Gazeta
BRASÍLIA – Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma dura discussão durante a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) nesta terça-feira (15) que analisa relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Moraes acusou Mendonça de agir em prol de um grupo político “que quis dar um golpe” no país e de ter pedido que ele fosse incluído em uma delação premiada da PF. Mendonça negou as acusações e disse que o colega estava mentindo.

Rosinei Coutinho/STF
“Quem tem medo da Polícia Federal?”, questionou Moraes. “Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada. Vamos chamar testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Eu tenho testemunhas”, completou.
Leia a íntegra da discussão
– Moraes: Não há como julgar hoje sem julgar terça. Porque eu pergunto: Quem tem medo da Polícia Federal, presidente [Edson Fachin]? Quem tem medo da Polícia Federal?
– Mendonça: Não é questão de medo.
– Moraes: Eu não estou perguntando a Vossa Excelência.
– Mendonça: Mas eu estou lhe respondendo.
– Moraes: Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? Vamos trazer aqui, presidente, vamos chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: “Peçam…”
– Mendonça: Isso é mentira. Mentira. Mentira.
– Moraes: Então, vamos chamar as testemunhas?
– Mendonça: É mentira, pode chamar quem quiser. Vão mentir. Vão mentir.
– Moraes: Não há como julgar hoje sem julgar hoje sem julgar terça-feira. Chamou. “Inclua o ministro Alexandre.”
– Mendonça: Mentira. Mentira.
– Moraes: Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país.
– Mendonça: Ah, senhor presidente… Não vou responder. No meu momento de fala…
– Moraes: O que mais, presidente? Não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é um relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados lá. É só pegar o registro e quem fez. Vamos chamar aqui neste Supremo Tribunal Federal, além de advogados que já se colocaram à disposição. Eu repito: tudo o que foi feito, essa investigação fraudulenta contra mim, começou lá atrás. Não dá para julgar uma coisa sem outra.
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Fonte: A Gazeta