Moraes acusa Mendonça de estar “a serviço de grupo político que quis dar um golpe no país”

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Por Tiago VechiJornal Opção

Moraes acusa Mendonça de estar “a serviço de grupo político que quis dar um golpe no país”

A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidirá se Alexandre de Moraes será investigado ou não pelo seu suposto envolvimento com Daniel Vorcaro está suspensa e retorna às 14h. A primeira etapa foi marcada por embates entre ministros e pela manifestação de Alexandre de Moraes, que registrou sua defesa e ataques a André Mendonça.

Antes do intervalo, o presidente do STF, Edson Fachin, disse que será votada uma questão de ordem para suspender a sessão até semana que vem e aglutinar os casos em julgamento. Ainda nenhum ministro votou e DiasToffoli e Kássio Nunes Marques se declaram suspeitos.

Moraes afirmou que não é possível julgar o que está no escopo da sessão desta terça-feira, 15, sem considerar o que será julgado semana que vem quando o debate será sobre a atuação de André Mendonça. Em seguida, o ministro questionou “Quem tem medo da Polícia Federal?”.

Mendonça respondeu que não era questão de medo e ambos bateram boca. Após breve embate, Moraes continuou sua fala.”Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas que o ministro André (Mendonça), em reunião, disse: ‘Peçam isso’”

Mendonça retrucou a fala da colega dizendo que era mentira e alegou que se manifestaria apenas na hora de sua fala. Moraes, então, afirmou que os relatórios da Polícia Federal que solicitou para investigar a conduta de Mendonça não são apócrifos, como Mendonça havia declarado.

Ele também afirmou que Mendonça pediu sua inclusão no caso por “estar a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país.” Moraes insitiu que ambos casos, (o dele e o de Mendonça) sejam julgados em conjunto.

Contexto da crise no STF

A crise envolvendo o Banco Master ganhou força após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos da investigação sobre o banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os elementos divulgados estão mensagens supostamente trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, encontros entre os dois e um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. A divulgação provocou um confronto entre Moraes e Mendonça, que passaram a divergir também sobre o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro.

Em manifestação enviada ao STF na segunda-feira, 14, Moraes negou ter cometido irregularidades, favorecido Vorcaro ou o Banco Master e afirmou que nunca julgou processos relacionados ao banqueiro ou à instituição. O ministro também questionou a legalidade da investigação conduzida por Mendonça, alegando que ela foi instaurada de ofício e sem provocação da Procuradora-Geral de República (PGR), da PF ou autorização do plenário. Moraes ainda contestou a interpretação dada às mensagens e anotações apreendidas com Vorcaro e classificou as suspeitas como parte de uma ofensiva de caráter “político-eleitoral”.

A sessão desta terça-feira, 15, ocorre em meio ao embate entre os dois ministros e à discussão sobre os limites da investigação. O plenário ainda deverá analisar se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra Moraes, enquanto a atuação de Mendonça na condução do caso também está prevista.

Ao retornar do intervalo, o plenário decidirá a ordem e o procedimento dos julgamentos, que devem ocorrer no dia 23 de setembro.

Leia mais:Moraes nega irregularidades no caso Master e questiona investigação conduzida por Mendonça

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Fonte: Jornal Opção

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