Modernização chinesa: Diálogo entre China e Brasil explora múltiplas possibilidades de desenvolvimento
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
Por Lu Yang (Diário do Povo) – Sendo uma das atividades do Ano Cultural Brasil-China de 2026, o 4º Workshop “Compreendendo a Modernização Chinesa”, organizado pela Universidade de Comunicação da China, terminou no dia 28 de setembro.
Inaugurado no dia 22, o workshop teve como tema “Avançar em direção à prosperidade comum”. Dezenas de representantes acadêmicos, jornalísticos e empresariais do Brasil, tanto do território brasileiro quanto residentes na China, participaram do evento. Por meio de palestras temáticas, debates interativos e pesquisas de campo, os participantes conheceram, de forma imersiva, as práticas da promoção da prosperidade comum no processo da modernização chinesa.
Na cerimônia de abertura do workshop, Ren Mengshan, vice‑reitor da Universidade de Comunicação da China, afirmou esperar que os convidados participem de diálogos aprofundados com os colegas da China, compartilhando experiências brasileiras e perspectivas latino‑americanas, impulsionando, assim, a troca de “atividades culturais” entre China e Brasil, com vista à “criação conjunta de conhecimentos” marcada pelo confronto de ideias.
Para compreender a modernização chinesa, não se deve apenas prestar atenção aos números do crescimento econômico. É também necessário compreender a profunda integração entre o contexto civilizacional e as práticas de desenvolvimento. Durante o workshop, a delegação brasileira realizou visitas e pesquisas em diversos locais de Beijing e Zhejiang, percebendo, in loco, a dinâmica do desenvolvimento da China.
Alejandro Barrios, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, compartilhou suas impressões. Em sua visão, a modernização chinesa não consiste simplesmente em um processo de desenvolvimento econômico, mas se define como um projeto histórico que articula Estado, sociedade, território, comunidade e uma determinada compreensão da própria civilização chinesa. “O que mais me impressionou foi perceber, em Beijing e Zhejiang, como essa modernização combina uma escala tecnológica extremamente contemporânea com uma consciência muito forte da continuidade histórica. A China parece não pensar modernização como ruptura com seu passado, mas como uma forma de transformar esse passado em capacidade de construir o futuro”.
Renato Peneluppi, advogado e diretor do Conselho de Cidadãos Brasileiros de Beijing, residente de longa data na China, destacou que a ideia de modernização chinesa, apresentada inicialmente de forma teórica, se materializa em políticas, tecnologias, comunidades e na vida cotidiana das pessoas. Ao visitar a vila de pintura Yudong, em Quzhou, na província de Zhejiang, ele percebe que “a revitalização rural aparece não apenas como aumento de renda, mas também como desenvolvimento cultural, turístico e social, criando novas oportunidades para as comunidades”. Em entrevista ao repórter do Diário do Povo Online, ele compartilhou a percepção obtida nesta visita: a modernização passa agora pela busca da prosperidade comum, pela revitalização rural, pelo desenvolvimento tecnológico, pela melhoria dos serviços públicos e pela preservação e valorização da cultura e da história.
Como característica essencial da modernização chinesa, a prosperidade comum tornou‑se o tema central dos debates entre acadêmicos chineses e brasileiros neste workshop. Por meio de debates e visitas de campo, os acadêmicos brasileiros reconheceram amplamente que os conceitos de desenvolvimento equilibrado, inclusivo e sustentável defendidos pela prosperidade comum, possuem valor de referência para os diversos países do Sul Global.
Renato Peneluppi apontou uma importante lição para o aprendizado mútuo no processo de modernização da China e do Brasil: “Não existe um modelo universal de modernização”. Segundo ele, cada país precisa compreender sua própria história, sua geografia, seus recursos, suas potencialidades e, principalmente, as necessidades de seu povo.
Para Barrios, o aprendizado precisa ser mútuo. O Brasil pode observar a experiência chinesa em planejamento de longo prazo, infraestrutura, política industrial e articulação entre desenvolvimento tecnológico e desenvolvimento econômico. A China, por sua vez, pode encontrar no Brasil uma experiência importante de diversidade social, riqueza ambiental e construção de instituições em uma sociedade plural.
Como assinalou Yan Qiaorong, diretora do Centro de Pesquisa de Comunicação Brasileira do Instituto de Comunicação por Regiões e Países da Universidade de Comunicação da China, a China e o Brasil podem aprender um com o outro e avançar de mãos dadas no caminho da busca pela modernização.
Por meio da plataforma construída pela Universidade de Comunicação da China, os acadêmicos brasileiros ultrapassam as percepções obtidas apenas em livros e conhecem uma China tridimensional e autêntica por meio de suas próprias experiências. Os acadêmicos chineses, por sua vez, têm a oportunidade de dialogar frente a frente com especialistas brasileiros, absorver plenamente as reflexões com perspectivas latino‑americanas e enriquecer constantemente a compreensão sobre a diversidade dos caminhos de modernização.
Fonte: Brasil 247