Ministro aponta indícios de incêndios criminosos no Amazonas e cobra punição dos suspeitos
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que há indícios de incêndios criminosos em áreas de floresta preservada no Amazonas e cobrou medidas para identificar e punir os responsáveis. A avaliação foi feita após um sobrevoo realizado no domingo (11), especialmente na região de Autazes, um dos municípios mais atingidos pelas queimadas. O estado enfrenta uma escalada de incêndios florestais que compromete a qualidade do ar e ameaça comunidades.
Capobianco relatou que a dimensão da destruição observada durante a inspeção superou suas expectativas. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o ministro considera que a localização de diversos focos de incêndio em áreas de vegetação preservada indica a possibilidade de ações deliberadas para degradar a floresta e facilitar sua posterior derrubada.
“O que nós vimos ali é uma questão muito grave. Eu diria mais grave do que eu imaginava antes de fazer o sobrevoo”, declarou o ministro.
Capobianco afirmou que os incêndios observados não se restringem a queimadas iniciadas em pastagens e posteriormente propagadas para áreas florestais. A presença de focos em regiões preservadas, segundo ele, reforça a suspeita de atuação criminosa.
“Nós vimos focos no meio da floresta preservada, inúmeros focos. Esse é o mais grave, porque indica claramente que são incêndios criminosos com o objetivo de degradar a floresta e, posteriormente, buscar a derrubada na sequência”, afirmou.
O ministro defendeu que o governo estadual mobilize a Polícia Militar, além das equipes do Corpo de Bombeiros, para intensificar a fiscalização e a responsabilização dos envolvidos.
“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. É necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, acrescentou.
A inspeção aérea contou também com a participação do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e do presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt.
Registros de incêndios aumentam 260% no Amazonas
O Amazonas contabilizou 1.600 eventos de fogo ativo entre 1º e 12 de outubro, segundo o Painel do Fogo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), vinculado ao Ministério da Defesa.
No mesmo intervalo de 2025, foram registrados 444 eventos. A comparação aponta crescimento de aproximadamente 260%, evidenciando o agravamento da situação neste início de outubro.
O Ministério do Meio Ambiente informou que o Ibama conseguiu extinguir 292 incêndios desde o início da temporada de queimadas e mantém equipes mobilizadas para enfrentar outros oito focos ativos.
Os números do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas também mostram a dimensão da emergência. Entre 1º de junho e 11 de outubro, a corporação registrou 3.558 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.
Nesse período, os bombeiros atuaram no combate a 21.690 focos, dos quais 4.526 foram registrados em Manaus e 17.164 em municípios do interior.
Fumaça compromete qualidade do ar em Manaus
A capital amazonense completou nesta segunda-feira (12) o quinto dia consecutivo sob uma camada de fumaça provocada pelos incêndios florestais.
Medições do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontaram qualidade do ar classificada como péssima em diferentes pontos da cidade.
Em uma das estações de monitoramento, a concentração de material particulado chegou a 219 microgramas por metro cúbico na manhã desta segunda-feira. O indicador é quase nove vezes superior ao limite de 25 microgramas por metro cúbico utilizado pelo sistema para classificar a qualidade do ar como boa.
Essas partículas são componentes da fumaça produzida pela combustão da vegetação e representam riscos à saúde, especialmente para pessoas com problemas respiratórios, crianças e idosos.
O problema atinge principalmente Manaus e municípios de sua região metropolitana, onde o aumento dos incêndios entre setembro e outubro intensificou a presença de poluentes na atmosfera.
Municípios mobilizam voluntários e retiram famílias de áreas ameaçadas
A propagação das chamas também levou administrações municipais a adotar medidas emergenciais para proteger moradores e impedir que os incêndios avancem sobre áreas habitadas.
Em Itacoatiara, uma força-tarefa com mais de 150 participantes, incluindo voluntários, trabalha na contenção dos focos. Segundo a prefeitura, seis áreas do município foram atingidas, com destruição de mais de 2 mil hectares.
O coordenador da Defesa Civil municipal, Hekney Rebouças, alertou para a gravidade da estiagem e pediu à população que evite utilizar fogo no preparo de áreas agrícolas.
“A gente pede pro pessoal que vai fazer roça que não taquem fogo. Deixa essa estiagem passar. A estiagem é muito grande, vai se prolongar até dezembro. E esses focos de incêndio, a floresta vai embora, vai queimando, são os animais que vão sofrendo, as comunidades”, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais.
A prefeitura de Itacoatiara também identificou uma área de desmatamento ilegal e apreendeu equipamentos, incluindo uma roçadeira e outros materiais.
Em Careiro da Várzea, a administração municipal contratou caminhões-pipas para reforçar o enfrentamento das chamas. A aproximação do fogo de áreas residenciais obrigou famílias a abandonar temporariamente suas casas.
Já em Boa Vista do Ramos, mais de 200 voluntários participam das operações de contenção em diferentes localidades. A prefeitura informou que fornece água e alimentação às pessoas mobilizadas.
Governo federal envia aeronaves para reforçar combate ao fogo
O governo federal mobilizou 11 aeronaves para apoiar as operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas.
Duas aeronaves KC-390 Millennium da Força Aérea Brasileira (FAB) chegaram a Manaus na noite de domingo (11). Uma delas foi destinada ao transporte de equipamentos e materiais de apoio, enquanto a outra será utilizada diretamente nas operações de combate aéreo.
Para esta segunda-feira (12), estavam previstas três missões aéreas, com duração aproximada de duas horas cada. A expectativa é de lançamento de cerca de 12 mil litros de água por saída para auxiliar as equipes que atuam em solo.
O reforço ocorre diante da extensão dos incêndios e das dificuldades de acesso a determinadas regiões atingidas, especialmente em áreas de floresta.
Amazonas proíbe uso do fogo e decreta emergência em 36 municípios
O governo do Amazonas informou que mantém operações de monitoramento, prevenção, fiscalização e combate às queimadas durante a estiagem.
Segundo a administração estadual, o Corpo de Bombeiros atua diretamente na contenção das chamas, enquanto o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) fiscaliza situações de utilização irregular do fogo.
O estado também contratou 153 brigadistas florestais para ampliar a capacidade de resposta às ocorrências.
Um decreto estadual publicado em 9 de setembro de 2026 proibiu o uso do fogo em todo o Amazonas pelo período de 120 dias, com as exceções previstas na legislação.
O governo estadual decretou ainda situação de emergência em 36 municípios devido aos incêndios florestais. A medida considera o agravamento das condições climáticas associado ao fenômeno El Niño, com previsão de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média, fatores que favorecem a propagação das chamas.
O governo federal informou que também apoia a estrutura estadual de prevenção e enfrentamento dos incêndios por meio do projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia.
A iniciativa prevê R$ 45 milhões destinados ao fortalecimento do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e às ações contra incêndios florestais e queimadas não autorizadas. Segundo o governo federal, os repasses foram realizados em janeiro de 2025 e março de 2026.
Fonte: Brasil 247