Ministério Público de Goiás pede novas diligências sobre morte de jovem em abordagem policial

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Por Kennedy CruzBrasil de Fato

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A investigação sobre a morte de Yan Pablo Florêncio dos Santos, de 23 anos, durante uma ação de policiais da Rotam em Novo Gama (GO), continua aberta. Em manifestação de 21 de agosto, a 6ª Promotoria de Justiça de Novo Gama devolveu os autos à autoridade policial para o cumprimento de medidas consideradas necessárias ao esclarecimento de pontos ainda pendentes do caso.

Entre as diligências estão a análise da posição tática dos policiais militares envolvidos na ocorrência, a realização de exame residuográfico nas mãos de Yan Pablo, a complementação do laudo do local de morte violenta, com informações sobre a distância dos disparos e os impactos na viatura e em obstáculos, além da apuração de elementos relacionados a alterações em veículos citados no inquérito. O prazo de 30 dias estabelecido pela Promotoria para o cumprimento das medidas terminou nesta segunda-feira (21).

O advogado Disney Laranjeiras, assistente de acusação da família, afirma que a manifestação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) indica que ainda há elementos a serem esclarecidos antes de uma decisão sobre o caso.

“O caderno investigativo deixava em aberto perguntas cirúrgicas para a busca da verdade: se a guarnição era composta por quatro policiais, por que apenas dois efetuaram os disparos? Onde está a prova material do suposto revide, como o laudo residuográfico das mãos da vítima? O local do crime precisa narrar a física real dos impactos e distâncias”, argumentou.

Segundo Laranjeiras, a autoridade policial havia sugerido o arquivamento do inquérito policial por insuficiência de indícios de autoria ou ausência de justa causa. O Ministério Público, porém, considerou necessária a realização das medidas antes de uma manifestação definitiva.

“Não se trata de atraso, mas de garantia de solidez. Denúncia açodada, baseada em inquérito lacunoso, é o passaporte para a impunidade ou para anulações futuras. Para a família, o que atrasa a justiça não é a complementação científica e tática da prova, mas a aceitação de narrativas incompletas”, avaliou o advogado.

Pai de Yan Pablo, José Florêncio afirma que chegou a receber a informação de que o caso seria arquivado na terça-feira (22), mas confirmou que a investigação continua. Segundo ele, a família pretende acompanhar o cumprimento das medidas e cobrar a análise de outros elementos que considera importantes para esclarecer a morte do filho.

O pai afirma ainda que solicitou uma reunião com o Ministério Público para tratar da obtenção de imagens de câmeras de segurança que podem ajudar na reconstrução dos acontecimentos. “Eu precisava que a Justiça escutasse a mulher que estava com meu filho no dia. Tem que escutar ela, tem que escutar o meu irmão, porque eles sabem de todos os detalhes. Então, tem gente que sabe, que viu, mas não está com coragem de falar”, disse José.

Para ele, o histórico de Yan não deve impedir a apuração das circunstâncias da morte. José reconhece que o filho teve problemas com a Justiça, mas afirma que ele havia tentado mudar. “Eu quero que a sociedade saiba que meu filho teve muitos problemas com a Justiça, mas eu quero também que a sociedade saiba que ele era um bom rapaz e que estava mudando de vida. O filho dele nasceu, ele já estava se comportando, fazendo a casinha dele, trabalhando”, contou.

José Florêncio também questiona por que Yan não foi preso quando, segundo ele, havia se apresentado acompanhado de advogado para responder por um crime. “Meu filho errou muito, mas ele pagou pelo erro dele, porque foi preso várias vezes. […] Mas reconheceu o erro e foi lá se entregar. E por que a polícia não prendeu ele quando ele foi lá? Essa é uma pergunta que não me sai da cabeça”, questionou.

Yan Pablo foi morto a tiros em 3 de março de 2025, durante uma ação de policiais da 4ª Companhia das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) em Novo Gama. Segundo a versão apresentada pelos agentes, o jovem teria fugido de uma abordagem e disparado contra a equipe, que reagiu. Dois policiais efetuaram disparos. A família contesta a narrativa apresentada pela corporação.

Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de Goiás havia determinado que a Polícia Civil concluísse o inquérito e cumprisse diligências solicitadas pelo Ministério Público. Na ocasião, o MP-GO informou ao Brasil de Fato DF que a autoridade policial havia sugerido o arquivamento com base na excludente de ilicitude, mas que a Promotoria considerava necessárias novas diligências antes de analisar definitivamente o caso.

Com o fim do prazo estabelecido em agosto, o próximo passo depende da conclusão das medidas determinadas e da análise dos autos pelo Ministério Público. O Brasil de Fato DF procurou o MP-GO para confirmar se as diligências foram cumpridas, se houve prorrogação do prazo e qual será o próximo encaminhamento do procedimento. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.

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Fonte: Brasil de Fato

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