Minerais críticos já respondem por 129 mil empregos e área cresce 8,6% em 2 anos no Brasil
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – As atividades relacionadas aos minerais críticos e estratégicos já empregam 129.423 trabalhadores no Brasil, o equivalente a 57% dos 226.634 postos de trabalho da indústria extrativa mineral brasileira. Os dados de 2025 foram divulgados nesta quarta-feira (14) pela Agência Nacional de Mineração (ANM), que também identificou crescimento de 8,6% no número de empregos do segmento entre 2023 e 2025.
O levantamento integra o Portal de Minerais Críticos e Estratégicos, lançado pela ANM para reunir informações sobre emprego, remuneração, produção, pesquisa mineral, exploração e comércio exterior. A plataforma também mostra a expansão do interesse pelas terras raras, cujas autorizações de pesquisa aumentaram 485,4% entre 2021 e 2025.
Os números evidenciam a participação dos minerais considerados estratégicos na estrutura produtiva brasileira. Essas matérias-primas incluem substâncias utilizadas em diferentes atividades industriais, na fabricação de equipamentos tecnológicos e em processos associados à transição energética.
Entre os trabalhadores empregados nas atividades relacionadas a esses minerais, 51.714 são classificados como mão de obra qualificada. Esse contingente corresponde a aproximadamente 23% de todos os empregos da indústria extrativa mineral brasileira.
Os profissionais com ensino superior somam 30.707, representando cerca de 14% dos vínculos de trabalho de toda a indústria extrativa mineral do país.
O levantamento também apresenta diferenças na participação de homens e mulheres. O segmento emprega 100.765 homens, equivalentes a 78% do total, enquanto as mulheres ocupam 28.658 postos, ou 22%.
Salários chegam a R$ 11,8 mil na mediana para trabalhadores com ensino superior
A remuneração dos profissionais envolvidos na extração de minerais críticos e estratégicos varia conforme o nível de escolaridade.
Segundo a ANM, os trabalhadores com ensino fundamental receberam remuneração mediana de R$ 3.218,08 em 2025. Entre aqueles com ensino médio, o valor foi de R$ 4.142,24.
Para profissionais com formação superior, a remuneração mediana alcançou R$ 11.856,16, aproximadamente 3,7 vezes o valor registrado para trabalhadores com ensino fundamental.
Os dados permitem observar diferenças salariais conforme a formação dos empregados e a distribuição dos postos de trabalho entre as atividades minerárias.
Pará e Minas Gerais concentram importantes polos de emprego
A distribuição regional revela a presença de grandes centros de emprego ligados aos minerais críticos e estratégicos no Pará e em Minas Gerais.
Parauapebas, no Pará, registra 8.234 trabalhadores nessas atividades. Desse total, 71,4% são homens e 28,6% são mulheres. O município possui 1.851 profissionais com ensino superior empregados no segmento.
Nova Lima, em Minas Gerais, aparece com 8.218 postos de trabalho, dos quais 4.776 são ocupados por profissionais com formação superior. A participação feminina é de 36,7%, enquanto os homens representam 63,3%.
Também em Minas Gerais, Congonhas reúne 7.114 trabalhadores. Os homens correspondem a 73,2% dos empregados, e as mulheres, a 26,8%. Entre os profissionais do município, 1.234 possuem ensino superior.
Os três municípios estão entre aqueles com os maiores contingentes de trabalhadores associados à exploração de minerais considerados críticos e estratégicos.
A plataforma da ANM permite consultar essas informações por estado, município e substância mineral, além de apresentar dados sobre escolaridade, gênero, categoria profissional e remuneração.
“O portal permite consultar dados sobre empregos, remuneração, perfil dos trabalhadores, distribuição territorial e substâncias relacionadas a essas atividades”, afirmou a superintendente de Economia Mineral da ANM, Inara Barbosa.
Autorizações para pesquisar terras raras cresceram 485,4%
A expansão da pesquisa mineral também aparece nos indicadores divulgados pela agência. Entre 2021 e 2025, as autorizações para pesquisa de terras raras tiveram crescimento de 485,4%, em um movimento de ampliação das atividades de investigação do potencial desses elementos no território brasileiro.
O Brasil encerrou 2025 com produção de 326 toneladas de terras raras na forma de concentrado de óxidos. Atualmente, existem quatro áreas com lavra ativa, todas localizadas em Goiás.
Embora o país disponha de reservas expressivas desses elementos, a exploração comercial ainda está concentrada em poucas operações.
A ANM registra 3.067 áreas na fase de pesquisa mineral e outras 78 com relatório final de pesquisa aprovado, em fase de direito de requerer a lavra ou com pedido de concessão de lavra, que apresentam potencial para novos empreendimentos.
O Serviço Geológico Brasileiro também identificou 75 locais com potencial mineral relacionado às terras raras.
Esses números mostram a diferença entre o potencial geológico e a produção efetiva. A existência de reservas ou de áreas autorizadas para pesquisa não significa que os projetos estejam prontos para entrar em operação.
A transformação de uma descoberta mineral em empreendimento produtivo envolve estudos técnicos, investimentos, avaliações de viabilidade econômica, procedimentos regulatórios e licenciamento ambiental.
Brasil importou mais produtos de terras raras do que exportou
O comércio exterior também revela diferenças entre a produção primária brasileira e o consumo de produtos industrializados derivados de terras raras.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 14,9 milhões em concentrados desses elementos, enquanto as importações de produtos da indústria de transformação mineral, como óxidos de terras raras e ímãs, somaram US$ 30,6 milhões.
Os valores indicam que as importações dessas categorias superaram as exportações brasileiras de concentrados no período.
Os minerais críticos e estratégicos incluem substâncias como lítio, níquel, cobre, grafita, nióbio, manganês, urânio, potássio e terras raras. A relação brasileira também contempla ouro, ferro, fosfato, silício, alumínio, estanho, vanádio, molibdênio, tântalo, tungstênio e cromo.
A classificação foi estabelecida pelo Ministério de Minas e Energia por meio da Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, considerando critérios relacionados à importância econômica e estratégica desses recursos.
Produção de ouro alcançou R$ 41,7 bilhões em 2025
Os dados apresentados pela ANM também dimensionam a participação do ouro na economia mineral brasileira.
Em 2025, o país produziu 71,1 toneladas de ouro beneficiado, com valor de produção estimado em R$ 41,7 bilhões. O levantamento identifica 504 lavras com produção ativa desse metal.
As exportações brasileiras de ouro no segmento mineral atingiram US$ 6,59 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 10,4 milhões.
Além das informações sobre produção e comércio internacional, o novo portal reúne indicadores que permitem acompanhar as diferentes fases dos empreendimentos minerários, desde a identificação do potencial geológico até a exploração comercial.
A base de dados também possibilita comparar o estágio de desenvolvimento das substâncias minerais e sua participação na atividade econômica, no mercado de trabalho e no comércio exterior brasileiro.
Fonte: Brasil 247