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ALTAMIRO BORGES

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec) divulgou nessa quinta-feira (24) dados aterrorizantes sobre o aumento da miséria no país presidido pelo “El Loco” Javier Milei – que serve de “inspiração” ao fascista Flávio Bolsonaro. Segundo o estudo, a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre deste ano, um aumento de 4,1 pontos percentuais no período. O mais alarmante na pesquisa, porém, é a situação das crianças na nação vizinha.

De acordo com a pesquisa, a pobreza hoje atinge 44,5% das crianças argentinas de até 14 anos. Desse grupo, 10,8% vivem na indigência. Na população em geral, esse índice é de 7,5%. O Indec considera pobres os adultos que não conseguem pagar uma cesta básica de cerca de US$ 340. O valor inclui alimentos, outros bens e serviços. Já os indigentes são as pessoas cuja renda não cobre sequer a cesta básica apenas de alimentos – que hoje tem um custo avaliado em US$ 150.

ALTA DA INFLAÇÃO E QUEDA DA RENDA E EMPREGO

Ainda segundo o instituto, o aumento da pobreza acompanha a alta da inflação entre o fim de 2025 e o início de 2026. Já a atividade econômica caiu 1,4% em julho ante o mesmo mês do ano anterior e o mercado de trabalho registrou uma grave piora, com desemprego de 7,9%, o maior nível desde 2021. Segundo o Indec, metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade e cerca de 30 mil empresas faliram desde que Javier Milei chegou ao poder.

Para o jornal La Nación o aumento da pobreza decorre principalmente da alta da inflação e da queda do rendimento dos trabalhadores desde o final de 2025. A consultoria ExQuanti, citada pela reportagem, projetou que o número de pobres cresceu em cerca de 2 milhões de argentinos no primeiro semestre deste ano – de 13,4 milhões no final do ano passado para 15,4 milhões. La Nación estima que a Argentina tenha hoje cerca de 4,1 milhões de crianças pobres de zero a 14 anos.

“MILEI É UM ÓTIMO EXEMPLO”, DIZ CHEFONA BOLSONARISTA

Apesar da devastação da economia, com o vertiginoso aumento da pobreza, a “motosserra” de Javier Milei ainda possui admiradores no Brasil. Na semana retrasada, em um seminário do grupo Esfera, em São Paulo, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no covil de Jair Bolsonaro e coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou na maior caradura: “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”.

No sentido diametralmente oposto, o presidente Lula lamentou, em entrevista à TV Record, a situação do sofrido povo argentino. Ele inclusive chorou ao vivo ao tratar do assunto:

“Ontem a Janja me mostrou que uma senhora que se diz chefe econômica da campanha do Flávio disse que, se eles ganharem, vão aplicar no Brasil as políticas econômicas do Milei. Como assim? Vocês vão botar a sociedade brasileira para comer carne de jumento? Na Argentina estão comendo carne de jumento porque as pessoas não têm dinheiro para comprar carne. Lá, o Milei cortou aposentadoria de idosos de 80 anos, que hoje moram na rua, comem lixo e estão morrendo com depressão. Cortou o dinheiro da educação e tem universidade sem água para os alunos beberem. A mortalidade infantil aumentou porque as mães não têm o que dar para os seus filhos comerem. Eu fico emocionado falando sobre isso porque parece uma loucura. Não é possível que os brasileiros estejam tão cegos de ódio que queiram fazer seus irmãos comerem lixo”.

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Fonte: Hora do Povo

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