Microsoft vai vender o XBOX? Relembre 5 vezes em que a marca esteve perto do fim

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Por Gabriel Cavalheiro — Canaltech

Há mais de uma década, a divisão do XBOX tem vivido instabilidades que colocaram em risco até mesmo a existência da marca. Aliado aos sérios problemas que o XBOX tem passado nos últimos anos, sua empresa-mãe, a Microsoft, não tem um bom histórico quando o assunto é abandonar serviços e produtos — basta olhar para o Windows Phone ou HoloLens.

Na verdade, o XBOX tem balançado aos olhos da Big Tech desde o seu lançamento, em 2001, e até em sua era de ouro no XBOX 360, considerado o último grande momento da marca.

Mesmo as mudanças que têm sido implementadas pela gestão de Asha Sharma, que envolvem desde a volta dos exclusivos e o foco nos consoles até o anúncio de mais de 3 mil demissões até 2027, não livraram o XBOX de um possível fechamento ou separação.

Em junho deste ano, um rumor sugeria que a conta não tinha fechado e que a Microsoft estudava uma separação do XBOX. Embora se trate de um rumor levantado pelo portal The Information, a notícia foi reproduzida em grandes veículos de mídia, como a Reuters. Além dessa, listamos outras quatro vezes em que a Microsoft quase deu tchau para o XBOX.

5. XBOX Original

O sucesso da poderosa Sony na sala de estar de milhares de famílias entre os anos 90 e 2000 incomodou muito a Microsoft. A empresa sempre foi muito associada ao mundo corporativo graças às soluções com Windows e softwares como o Excel, e eles queriam mudar isso. No XBOX, surgiu a oportunidade de invadir esse espaço e disputar a atenção do consumidor final, sem qualquer intermédio de uma companhia ou serviço.

Neste cenário, nasceu o XBOX Original, lançado em novembro de 2001. Apesar do seu sucesso relativo (ele ultrapassou o GameCube em vendas), a estreia da Microsoft no setor de hardware de games esteve longe de ser um paraíso. Em uma entrevista ao GamesBeat em 2016, o ex-CEO do XBOX entre 2001 e 2010, Robbie Bach, revelou que a companhia perdeu rios de dinheiro nos primeiros anos no negócio de jogos eletrônicos.

XBOX-2001-Img1

Segundo o executivo, a Microsoft perdeu de US$ 5 bilhões a US$ 7 bilhões nos primeiros quatro anos do XBOX. Bach afirmou que, até um mês antes do lançamento do primeiro console, ele nem sabia se realmente teria algum hardware nas prateleiras. Se isso acontecesse hoje, a companhia definitivamente teria demitido o CEO no comando e talvez até fechado a divisão de games. O ex-chefão do XBOX acredita que isso só não aconteceu na época por decisão estratégica da Microsoft.

Não demorou muito para que o XBOX 360 salvasse a pátria, pelo menos até o defeito que quase matou a marca para sempre.

4. XBOX 360 e as Luzes Vermelhas da Morte

O XBOX 360 chegou à América do Norte em novembro de 2005, um ano antes dos rivais PlayStation 3 e Nintendo Wii. Essa antecipação deu certo, mas não sem um preço (e bote cifrões aí). Usuários de todas as partes do mundo começaram a relatar um problema que fazia com que o console exibisse três luzes vermelhas ao redor do botão de energia, o que rendeu o famigerado apelido de “três luzes vermelhas” ou “luzes vermelhas da morte”.

XBOX 360 3RL

O problema em questão afetava o material de solda interna e os componentes do console. Ao ligar e usar o XBOX 360, os materiais esquentavam e, ao desligar, esfriavam. Após vários ciclos de variação térmica, esses componentes sofriam microfissuras que, por sua vez, interrompiam as conexões elétricas do hardware, fazendo com que o sistema identificasse o problema como uma falha geral.

Levou quase dois anos para que a Microsoft anunciasse que investiria mais de US$ 1 bilhão para consertar o erro e fazer o recall para os consumidores afetados. O ex-chefe do XBOX, Peter Moore, afirmou que, em alguns casos, os clientes levavam o XBOX até quatro vezes para a assistência. Assim como no primeiro XBOX, a escolha da Microsoft em manter o projeto foi totalmente estratégica e definitivamente não aconteceria nos dias de hoje.

3. XBOX One “TV”

Todos já conhecem a caótica história da apresentação do XBOX One, que, diferente dos outros itens da lista, resultou na saída do executivo da divisão. O console de oitava geração da Microsoft não apenas enfureceu os jogadores com chavões como “TV” e “Sempre Online”, mas também se distanciou do foco em jogos.

Além de toda a crise de imagem que o XBOX One enfrentou após a apresentação, a divisão sofreu com uma escassez de jogos exclusivos no início da geração, ao passo que atualizações de suas franquias não ressoavam tão bem quanto antigamente.

XBOX One

Não à toa, anos mais tarde, o ex-chefão da divisão de games da Big Tech, Phil Spencer, revelou que aquela era uma geração que eles não podiam ter perdido. Essa derrota e o distanciamento da concorrência ressoam até hoje, com suas cicatrizes impressas nos principais problemas com os quais a atual gestão de Asha Sharma precisa lidar.

O lançamento desastroso do XBOX One coincidiu com a aposentadoria do antigo CEO da Microsoft, Steve Ballmer. Já havia rumores de que a Big Tech planejava encerrar a divisão de games, algo corroborado por Stephen Elop, um dos candidatos a assumir a companhia de Redmond. A Bloomberg reportava que Elop poderia acabar com o Bing e vender o XBOX, caso fosse nomeado CEO na época.

No fim das contas, Satya Nadella assumiu o comando da Microsoft e seguiu apoiando o XBOX.

2. XBOX sem hardware?

Já na era do XBOX Series, as mudanças radicais de rumo com foco em serviços e a onda de aquisições de dezenas de estúdios ao longo da década resultaram em uma estrutura inchada, demissões, fechamentos e na lanterninha de uma geração na qual a marca poderia voltar a nadar de braçadas.

No ano passado, apesar da enorme quantidade de lançamentos, a Microsoft promoveu 9 mil demissões, incluindo cortes na divisão de games. Como parte do movimento, o XBOX fechou o estúdio The Initiative e cancelou projetos aguardados como Perfect Dark e Everwild.

Nintendo PlayStation XBOX

 Como contramedida, o XBOX começou a levar suas principais franquias para fora de seus consoles, o que levantou rumores de que a marca estaria abandonando o mercado de hardware. Outro ponto que reforçou o boato foi a escassez do XBOX Series em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil.

Em outubro de 2025, a empresa negou que iria deixar a fabricação de hardware e confirmou que a produção de futuros hardwares estava ativa. Na época, isso parecia sinalizar o fim do XBOX como conhecemos.

1. A Microsoft pode vender o XBOX?

O portal The Information voltou a ligar o alerta sobre a existência do XBOX. Segundo uma reportagem publicada em junho, a Microsoft estaria estudando uma separação ou reestruturação da marca como uma subsidiária integral.

A empresa também estaria cogitando transformar sua divisão de games em uma joint venture, o que facilitaria uma possível venda no futuro.

Os rumores, repassados pela Reuters, acontecem em um momento de grandes mudanças no XBOX. A divisão se separou de três estúdios, tenta vender outros dois e reformulou toda a hierarquia de suas produções. Halo, por exemplo, está oficialmente sob o comando da Activision, enquanto a Playground Games e a Turn 10 Studios se fundiram.

XBOX Helix

Há também todo um mistério em torno de como será o Project Helix, a próxima geração do XBOX, que Sharma já confirmou ser uma família de dispositivos.

No início do XBOX, a Microsoft parecia acreditar em um resultado de longo prazo, mas o cenário parece ter mudado de figura com a sequência de tropeços que a divisão vem acumulando há mais de uma década.

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Fonte: Canaltech

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