Meu voto em Lula não é uma procuração em branco
Por Redação — Jornal Opção

Djalba Lima
De Brasília
Não voto em sobrenome. A Presidência da República não é herança de família, e o Brasil não pertence a uma dinastia. Quem pretende governá-lo precisa apresentar ideias, preparo e responsabilidade. Certidão de nascimento não é programa de governo.
Não voto em candidato que mistura religião com política. Não voto por indicação de pastor ou de padre. Minha fé é uma história minha com Deus — e de ninguém mais. Nenhum púlpito tem autoridade sobre minha consciência. Respeito a liberdade religiosa justamente porque defendo um Estado laico, capaz de acolher quem crê de outra maneira e quem não crê.
Não voto em quem atenta contra a democracia. Divergir faz parte dela; ameaçar as instituições porque elas contrariam os interesses de um líder é outra coisa. Quem disputa uma eleição precisa aceitar a possibilidade de perder. O respeito à urna não pode depender do nome que sai dela.
Minha confiança em Lula inclui a convicção de que aceitará o resultado das urnas, mesmo que lhe seja desfavorável. Espero de um presidente essa dignidade: disputar com firmeza e saber perder
Sou socialdemocrata. Acredito que uma sociedade deve ser julgada também pelas oportunidades que oferece a quem nasceu com menos. Quero um país em que uma criança possa chegar longe sem precisar vencer, sozinha, a fome, a escola precária e a indiferença. Defendo responsabilidade econômica, serviços públicos dignos e o enfrentamento da desigualdade. Não aceito que a pobreza seja tratada como defeito de caráter.
Não sou petista. Não preciso ser para reconhecer em Lula da Silva um presidente com expressão internacional, experiência política e capacidade de dialogar com o mundo. Quero um Brasil que se sente à mesa com voz própria, consciente de seus interesses e de sua soberania.
Minha confiança em Lula inclui a convicção de que aceitará o resultado das urnas, mesmo que lhe seja desfavorável. Espero de um presidente essa dignidade: disputar com firmeza e saber perder. O fair play democrático exige reconhecer que o país é maior do que qualquer candidatura.
Por essas razões, meu voto é em Lula. Um voto consciente, com direito à crítica e disposição para cobrar. Apoiar um presidente não me obriga a aplaudir seus erros, justificar suas escolhas ou silenciar diante do que considero injusto.
Meu voto não é uma procuração em branco. É uma decisão sobre o país em que quero viver: um país em que adversários possam conversar, a fé não seja instrumento de mando e a derrota eleitoral não se transforme em ameaça.
Quero que, terminada a discussão, ainda haja café. E que, terminada a eleição, continue havendo democracia.
Djalba Lima, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.
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Fonte: Jornal Opção