Meta publicou anúncios políticos ilegais no Brasil pagos dos EUA, aponta estudo
Por Hora do Povo — Hora do Povo

A Meta, empresa dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, veiculou pelo menos R$ 2 milhões em anúncios nas eleições pagos diretamente dos Estados Unidos, o que é ilegal.
Esse dinheiro financiou pelo menos 1.613 anúncios que atingiram 171,1 milhões de impressões.
Entre os anúncios havia propaganda negativa contra outros candidatos, o que também deveria ser impedido pela plataforma.
Além disso, impulsionamentos não incluíam o rótulo de “propaganda eleitoral”, nem as informações de quem pagou o anúncio. Eles foram feitos por 187 candidatos, partidos ou coligações.
O levantamento foi feito pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab), que mapeou os pagamentos feitos em moeda estrangeira.
De acordo com as informações disponibilizadas pela Meta, 99,5% desses anúncios ilegais foram pagos em dólar americano, o que indica uma interferência do dinheiro dos Estados Unidos na política brasileira.
Entre os anúncios ilegais cuja fonte de pagamento foi informada, 97,3% foram feitos por uma empresa chamada Corporativo Lam, LCC. A Corporativo Lam pode ter inserido até R$ 1,6 milhão em propaganda eleitoral.
O NetLab não identificou quais candidatos foram beneficiados por esta empresa, mas a pesquisa reconheceu que seus anúncios atacaram “diferentes candidatos, muitas vezes de forma contraditória, dificultando a compreensão dos objetivos e das estratégias políticas dessas campanhas”.
A Meta só retirou ou classificou os conteúdos depois de veiculá-los para milhões de brasileiros. Na prática, a Meta lucrou com a ilegalidade nas eleições.
O surpreendente é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a presidência de Kassio Nunes Marques e vice de André Mendonça, não tenha se manifestado sobre isso.
META ADMITE “FALHA” QUE PREJUDICOU LULA
Uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (16) revelou mensagens trocadas por funcionários da Meta que provam que a conta de Lula estava “limitada” durante o período eleitoral.
No dia 9 de outubro, na primeira semana após o primeiro turno, a campanha de Lula não conseguia impulsionar conteúdos que foram publicados no feed do Instagram, o que é a prática mais comum de propaganda política paga nas redes sociais.
A campanha de Lula estima que 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber anúncios do presidente Lula por conta disso.
A Meta contatou engenheiros dos EUA para resolver o problema, mas eles demoraram horas para entrar em ação. Em uma das mensagens, um funcionário diz que os estrangeiros não tinham entendido a urgência e estavam tratando o assunto com morosidade.
A primeira versão apresentada pela empresa foi a de que o problema foi global. No entanto, as outras contas atingidas ficaram impossibilitadas de impulsionar conteúdos por 5 horas, enquanto a campanha de Lula foi impedida por 24 horas.
Além disso, a Meta permitiu a recomendação por algoritmo do canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, o que também é vedado nas eleições. Os usuários buscavam o canal “Exército do Lula”, mas recebiam a “Tropa do Flávio”.
Esse tipo de recomendação também ocorreu diretamente com a página de Flávio no Instagram.
Esses casos se somam às recentes denúncias de que a Inteligência Artificial usada pela Meta no WhatsApp permitia a produção de imagens com “Flávio 22”, mas não com “Lula 13”.
O dono da Meta, Mark Zuckerberg, se aliou a Donald Trump e está compondo conselhos do governo dos Estados Unidos.
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Fonte: Hora do Povo