Meta interfere nas eleições brasileiras com algoritmos que favorecem Flávio

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Por Diego Nunes — Esquerda Diário

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Nove especialistas independentes em direitos humanos ligados ao Conselho de Direitos Humanos da ONU cobraram, nesta quarta-feira (21), que a Meta (dona do Facebook, WhatsApp e Instagram) investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral no Brasil. Relatos de usuários apontaram que a IA do WhatsApp se recusava a criar imagens da campanha de Lula, mas aceitava solicitações semelhantes relacionadas a Flávio Bolsonaro.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Os especialistas da ONU defenderam que a Meta reavalie seus sistemas pra verificar se restringiu um dos lados de forma desproporcional: “A democracia e eleições livres e justas dependem de plataformas independentes e consistentes, bem como de um ambiente aberto e pluralista, onde as pessoas possam acessar informações, fiscalizar quem busca o poder, trocar opiniões e se organizar sem interferências arbitrárias”, afirma o documento.

O alerta já existia, porém, se tornou uma evidência quando um vídeo do canal do bolsonarista Nikolas Ferreira ultrapassou 146 milhões de acessos mesmo após ter o áudio removido por questões de direitos autorais. Esse número de acessos é totalmente incompatível com o número de seguidores do canal e explicita um favorecimento descarado dos algoritmos.

Como se não bastasse o apoio de Mark Zuckerberg, dono da Meta, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, redigiu uma minuta pra bloquear TODOS os canais de WhatsApp com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas antes do segundo turno. Parece coisa de filme distópico, mas é real, a Folha de S.Paulo teve acesso ao documento. Segundo Mendonça há consenso entre os ministros sobre censurar grandes canais. A questão é que há apenas um canal que preocupa Mendonça.

O “Exército do Lula”, canal criado pelo deputado André Janones que já tem mais de 7 milhões de inscritos e mobiliza o eleitorado que quer impedir que um miliciano seja eleito. A campanha do Flávio Bolsonaro já tinha pedido várias vezes para o TSE derrubar esse canal. No dia 11 de outubro, o Ministro Kassio Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio e mandou censurar o canal do Janones, que já tinha mais de 3 milhões de seguidores. Passou por cima do corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que era o relator da ação e tinha pedido provas de que havia fake news no grupo. Como não houve provas, horas depois, Cueva derrubou a censura e liberou o canal de novo.

São inúmeras as interferências nesse processo eleitoral. É a troca de domicílio eleitoral de milhares de eleitores no Nordeste, é a Meta favorecendo Flávio nos algoritmos, ministros aventando censurar canais de whatsApp. Não podemos aceitar esses absurdos antidemocráticos! É a nossa força nas ruas que derrubou a 6×1 que pode derrotar também a extrema direita e garantir ainda mais direitos. Precisamos nos manter mobilizados para além das eleições e impor nas ruas a efetivação da redução da jornada de trabalho, mas também a revogação das reformas trabalhistas e da previdência.

Fonte: Esquerda Diário

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