Mercado automotivo caminha para o melhor ano desde 2014, mas chineses preocupam montadoras

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Publicado em 09 de Outubro de 2026 às 16:02

Patrick Mizrahi

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A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ( Anfavea ) revisou para cima as estimativas de vendas e produção para 2026, impulsionada pelo aquecimento do mercado interno.  Segundo o balanço divulgado nesta quarta-feira (7), a entidade espera fechar o ano com 3,1 milhões de veículos emplacados, alta de 15,2% sobre 2025, sendo este o melhor resultado desde 2014. A fabricação nacional deve crescer 6,7%, superando 2,8 milhões de unidades.

Apesar do otimismo com as vendas domésticas, há um alerta sobre a qualidade desse crescimento e seus impactos no comércio exterior:

A nossa balança comercial sofre com a alta das importações e a queda expressiva das exportações. Além disso, boa parte da alta na produção se dá por veículos parcialmente desmontados, os chamados kits SKD, que chegam da China sem utilizar o parque de autopeças nacional e com pouca mão de obra envolvida.

Igor Calvet,  presidente da Anfavea

Segundo os dados da entidade, setembro registrou 268,3 mil veículos produzidos, o melhor mês desde 2014. No entanto, a Anfavea aponta que, das 173 mil unidades fabricadas a mais no ano, 123 mil saíram de montagens sob os regimes CKD e SKD a partir de kits importados da China. De acordo com a associação, esse volume montado supera a produção individual de 60% das fábricas de veículos leves instaladas no país.

No mercado interno, setembro somou 281,4 mil emplacamentos. A entidade atribui a alta de 22,5% nas vendas de automóveis ao programa Carro Sustentável, responsável por 84 mil unidades de entrada, e ao avanço dos eletrificados, que responderam por 242 mil unidades e já representam 20,1% das vendas de veículos leves. Em contrapartida, a Anfavea prevê retração de 6,5% no segmento de pesados (caminhões e ônibus).

No comércio exterior, a associação reduziu a projeção das exportações para uma queda de 17,7% no ano. A entidade explica que o recuo se deve à retração do mercado argentino, com queda de quase 100 mil unidades enviadas.

Há ainda a concorrência com modelos chineses e mexicanos na América do Sul. Ao mesmo tempo, a Anfavea reporta um salto de 30,4% nas importações (463,9 mil unidades), destacando que os veículos vindos da China já representam 55% desse total e ocupam 11,3% do mercado nacional.

*Este conteúdo foi produzido por Patrick Mizrahi, residente do 29º Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Karine Nobre, editora de Motor.

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