Mendonça derruba sigilo de inquérito que detalha pagamentos de Vorcaro
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Publicado em 14 de Setembro de 2026 às 14:34
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14/9) o sigilo de informações sobre pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão trata de um relatório elaborado pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações de dinheiro do banqueiro e seus beneficiários.
Também nesta segunda, os gabinetes dos ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin confirmaram ter recebido da Polícia Federal (PF) as informações do aparelho de celular de Vorcaro.
No fim de semana, os dois ministros haviam reforçado o pedido para que todos os membros do STF tivessem acesso integral à cópia dos dados extraídos do celular de Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido pela PF, antes da sessão de terça-feira (15/9).
O julgamento marcado tratará do procedimento que tornou públicas conversas suspeitas entre o ministro Alexandre de Moraes e o Vorcaro e de uma possível abertura de investigação para apurar a conduta do ministro.
Relator do caso Master, Mendonça havia defendido em despacho no domingo que todo o material necessário para o julgamento encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros. Ele disse que a liberação do material “somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações”.
Mas também no domingo a PF informou ao presidente da corte, ministro Edson Fachin, que o material original contido no celular de Vorcaro permanece nas dependências da instituição “dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital”.
No comunicado, a PF afirmou que possuía “plenas condições técnicas para produzir e encaminhar cópia idêntica da extração aos demais gabinetes que a solicitaram, observadas as determinações da Corte e as cautelas de sigilo aplicáveis”.
E disse que a cópia dos dados extraídos, encaminhada em março deste ano a Mendonça, não corresponde ao material original, que “jamais deixou a custódia da instituição”.
Os embates entre os ministros em relação ao acesso aos documentos obtidos pela PF ao longo das investigações sobre o caso ocorrem às vésperas da sessão marcada para terça para discussão da grave crise que a Corte atravessa.
Após a determinação do fim do sigilo dos registros relacionados ao banco na quinta-feira (10) por Fachin, Mendonça liberou o acesso a parte dos documentos.
Em um ofício encaminhado na semana passada a Fachin, o ministro Alexandre de Moraes apontou uma “escolha seletiva” de Mendonça na retirada do sigilo. O ministro também pediu a liberação imediata de todo e qualquer documento relacionado ao caso.
Em dois ofícios separados, Moraes e Cristiano Zanin também solicitaram ao presidente do STF acesso ao conteúdo completo extraído do celular de Vorcaro. No sábado, o ministro Gilmar Mendes reforçou o pedido para que todos os ministros tenham acesso integral à cópia dos dados extraídos do celular.
Zanin protocolou um novo ofício solicitando a entrega de uma cópia do conteúdo do celular até as 23h do domingo. Gilmar Mendes também pediu acesso ao material do celular que foi encaminhado para Mendonça.
Sobre a preocupação do colega em relação a colocar as investigações em risco, Gilmar Mendes disse que “o material permanecerá submetido a regime rigoroso de restrição, com acesso limitado a este Gabinete”.
Mendonça liberou, na noite de sexta, o sigilo de outros processos envolvendo o Master, mas informou a Fachin que só possuía apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, que permanece lacrada.
Na semana passada, Mendonça protagonizou um embate com Moraes no âmbito dessas investigações.
Em 1º de setembro, através da petição 16.662, Mendonça levantou o sigilo de um relatório da PF com indícios de que Daniel Vorcaro teria pedido conselhos e trocado informações com Moraes.
Dois dias depois, Moraes rebateu e retirou o sigilo de relatórios da inteligência da PF sobre supostas condutas irregulares de Mendonça, o qual teria agido contra Moraes e outros colegas de tribunal.
Até então relator do polêmico Inquérito das Fake News, Moraes também havia pedido a inclusão de Mendonça nesta investigação.
Na quarta-feira (09/09), Fachin decidiu tirar de Moraes a relatória deste inquérito e agendar para 15 de setembro a sessão plenária para tratar do caso.
Diante da crise que se abriu no STF com a revelação das mensagens e as decisões subsequentes de Mendonça, Moraes e do ministro Flávio Dino, é possível que o julgamento seja ampliado para discutir outros vários da “guerra” entre os ministros, explica Emílio Peluso, professor de direito constitucional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ex-controlador do Banco Master, Vorcaro foi preso em novembro de 2025. Ele é investigado por suspeita de cometer fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões.
Por meio de trocas de mensagens e documentos extraídos do celular do ex-banqueiro, a PF levantou uma série de suspeitas de irregularidades.
O conteúdo do aparelho é relevante em duas frentes distintas: a apuração dos supostos crimes financeiros ligados ao caso Master e as relações de Vorcaro com autoridades políticas e do Judiciário.
No caso do financiamento do filme Dark Horse — cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro que acabou se tornando parte das investigações — os investigadores afirmam ter encontrado conversas, comprovantes e registros que indicariam a participação direta de Vorcaro na liberação de recursos para a produção e na discussão sobre a forma como esse dinheiro seria movimentado nos Estados Unidos.
Os documentos liberados por Mendonça na noite de sexta-feira apontam especialmente para a relação com o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL), descrito pela PF como interlocutor direto nas tratativas para obtenção de recursos para o filme.
O celular também continha mensagens — tornadas públicas após uma decisão do ministro André Mendonça — que teriam sido enviadas por Vorcaro a um contato salvo com o nome Alexandre de Moraes.
Há também conversas de Vorcaro com funcionários do Master e pessoas ligadas à família de Moraes.
Diálogos envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) também dão “robustos indícios” de crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de ativos, segundo um relatório da PF cujo sigilo foi retirado nesta sexta.
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