Mendonça derruba o sigilo de processo sobre pagamentos de Vorcaro
Por Maiara Marinho — Carta Capital
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A PGR informou que sequer tinha conhecimento da existência dos arquivos no sistema da Corte
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de um processo relacionado aos pagamentos realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. A solicitação foi partiu do ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República, que defendeu a divulgação, informou que sequer tinha conhecimento da existência desses arquivos no sistema da Corte.
Consta dos documentos uma série de pagamentos do Master à Igreja Lagoinha gerida por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Não há, porém, a lista completa de pessoas que receberam pagamentos diretos do banqueiro.
A Polícia Federal informou ao gabinete de Mendonça que um relatório de inteligência elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras menciona pelo menos 303 pessoas físicas e 520 pessoas jurídicas.
A corporação argumentou ao ministro que a liberação completa é indispensável para evitar lacunas no rastreamento financeiro e afastar qualquer risco de nulidade processual. A medida, no entanto, não foi autorizada até o momento. O relatório aponta ainda possível incidência de pessoas com foro por prerrogativa de função no Superior Tribunal de Justiça e no STF.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o responsável por gerir a Igreja Lagoinha no bairro Belvedere, em Belo Horizonte (MG). Segundo os dados do Coaf, Zettel transferiu 19,2 milhões de reais para a igreja entre dezembro de 2024 e 2025. Além dele, familiares de Vorcaro também fizeram repasses.
Outros valores suspeitos foram direcionados à igreja no período, totalizando 28 milhões de reais transferidos diretamente para a conta da instituição.
O levantamento foi autuado pelo Coaf devido à incompatibilidade da movimentação com o faturamento anual presumido da igreja, cadastrado em 950 mil reais, e repassado à PF por integrar o conjunto de apurações sobre as movimentações financeiras de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo investigado.
A reportagem procurou a Igreja da Lagoinha, mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto.
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Fonte: Carta Capital