Meloni aprova prisão de adolescentes em protestos na Itália
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
ROMA, 20 de outubro (Reuters) – A Itália aprovou nesta terça-feira um conjunto de medidas de segurança que inclui a criação de um novo crime de participação violenta em manifestações, o endurecimento das penas para envolvidos em distúrbios e a responsabilização financeira dos pais de menores que participarem de atos de vandalismo e saques.
A decisão foi tomada depois que uma onda de violência atingiu cidades do norte da Itália durante o fim de semana, incluindo Milão, capital financeira do país, onde grupos formados principalmente por jovens promoveram depredações, quebraram vitrines, saquearam lojas e atacaram policiais.
“Não há nada de revolucionário em vandalizar e roubar. Vandalismo e roubo não são protesto, são criminalidade”, afirmou a primeira-ministra Giorgia Meloni nas redes sociais, ao anunciar o decreto.
Como parte do pacote, que entra em vigor imediatamente, qualquer pessoa que participe de um grupo de pelo menos cinco integrantes e coloque a segurança pública em risco durante manifestações poderá enfrentar pena de até cinco anos de prisão e multa máxima de 20 mil euros (US$ 22.460).
As penas serão aumentadas caso os envolvidos escondam o rosto ou provoquem ferimentos em outras pessoas.
As autoridades também poderão determinar o pagamento imediato de indenizações pelos danos causados. Quando os responsáveis forem menores de idade, seus pais serão responsabilizados financeiramente.
A polícia poderá deter adolescentes entre 14 e 17 anos, mesmo que não tenham cometido crimes, desde que existam evidências de que representam perigo. A medida amplia poderes policiais que anteriormente se aplicavam apenas a adultos.
Diante do temor de novos episódios de violência em manifestações previstas para sábado, o governo anunciou que mobilizará 500 militares do Exército para atuar ao lado da polícia em Milão até o fim de 2026.
Os militares ajudarão a reforçar a segurança em pontos estratégicos, ampliar a vigilância de locais considerados sensíveis e intensificar o monitoramento da região, informou o Ministério da Defesa em comunicado.
Meloni intensifica medidas de segurança
Os distúrbios no norte da Itália ocorreram em meio a uma onda semelhante de violência na vizinha França, onde centenas de milhares de pessoas foram às ruas no sábado, em alguns dos confrontos mais violentos registrados no país nos últimos anos.
Desde que assumiu o cargo, em 2022, Meloni tem aprovado sucessivas medidas de endurecimento da segurança pública. Críticos afirmam que essas iniciativas pouco contribuem para enfrentar as causas estruturais da criminalidade e da desordem social.
Segundo dados do governo, a população carcerária italiana aumentou mais de 17% em quatro anos, o equivalente a quase 10 mil pessoas.
O governo Meloni também enfrenta uma pressão crescente provocada por outra onda de protestos no sul da Itália, onde caminhoneiros insatisfeitos com a disparada dos preços do diesel e o aumento do custo de vida organizaram bloqueios de estradas, prejudicando as cadeias de abastecimento.
Alguns fabricantes de massas alimentícias foram obrigados a interromper a produção, enquanto organizações agrícolas alertaram que frutas e verduras podem apodrecer antes de chegar aos mercados. Após negociações com representantes do setor, o governo prometeu novas medidas de apoio aos transportadores rodoviários.
Manifestantes tanto do norte quanto do sul afirmam que a alta dos preços está empurrando famílias para a pobreza, uma preocupação para Meloni às vésperas das eleições nacionais previstas para 2027.
“Sabemos o que significa procurar emprego, receber um salário insuficiente e não enxergar perspectivas para o futuro… mas as dificuldades nunca devem ser usadas como desculpa para a violência”, afirmou a primeira-ministra nesta terça-feira.
(US$ 1 = 0,8906 euro)
Edição de Gavin Jones e Crispian Balmer
Fonte: Brasil 247