Marketing de Vorcaro sugeriu adiar evento com Alexandre de Moraes em Londres após sanções da Lei Magnitsky

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Uma produtora dos eventos de Daniel Vorcaro sugeriu ao banqueiro adiar um fórum jurídico patrocinado pelo Banco Master em Londres com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após o anúncio de sanções da Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos contra o magistrado, informa o jornal O Estado de São Paulo. O evento seria realizado em agosto de 2025, mas acabou sendo cancelado após o receio de que as sanções dos EUA também atingissem os organizadores do evento. Procurados pelo jornal, Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, não se manifestaram.

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro apontam que Moraes coordenava eventos privados com autoridades organizados pelo banqueiro no exterior. O ministro mandava convites e vetava convidados.

Nos diálogos, Ana Matos — que foi superintendente de Comunicação e Marketing do Master de janeiro de 2023 a dezembro de 2025 — relatou a Vorcaro em 22 de julho de 2025 que estava definindo a programação do fórum com o ministro Alexandre e a mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes. Ela afirmou, no entanto, que temia que a realização do evento provocasse desgaste ao Banco Master e atrapalhasse a operação de venda ao Banco Regional de Brasília (BRB).

“Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom. Vou te mandar. Vc na abertura e encerramento. Eles vão querer divulgar aos convidados. Eu disse que precisava falar com vc antes. Meu receio eh atrapalhar BRB”, afirmou Ana Matos. Vorcaro, então, pediu que seu nome fosse retirado do evento e que a divulgação fosse adiada.

No dia 30 de julho, quando Donald Trump anunciou as sanções da Lei Magnitsky, os diálogos demonstram uma tensão com a realização desse evento. Às 9h51, Ana Matos disse a Vorcaro que estava com Viviane Barci e que Moraes estava “ligando muitas vezes ao dia”. Um dia depois, Ana Matos relatou preocupação de que outros ministros iriam cancelar a participação no evento por causa do episódio.

Moraes foi alvo de sanções do governo Trump em um contexto de pressão das autoridades norte-americanas para que ele recuasse no julgamento de Jair Bolsonaro por liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado. A gestão Trump alegou que Moraes promovia uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e seus apoiadores, conforme declarou o próprio presidente dos Estados Unidos.

A Lei Magnitsky impõe sanções financeiras a estrangeiros acusados de corrupção ou violações graves de direitos humanos, além de proibir a entrada no país. A decisão do governo norte-americano bloqueou contas bancárias e travou o acesso do ministro ao sistema financeiro dos Estados Unidos, impedindo que ele acessasse eventuais ativos que tivesse em território norte-americano. Moraes e Viviane foram retirados da lista de sancionados pela Magnitsky em 12 de dezembro de 2024.

Fonte: Brasil 247

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