Mario Frias integraria “núcleo político” de grupo investigado por desvios, diz a PF
Por Luis Mauro Filho — Brasil 247
247 – A Polícia Federal apontou o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como integrante do “núcleo político” de um grupo investigado por suspeita de desviar recursos de emendas parlamentares para a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A PF fez a afirmação na representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter autorização para a operação realizada nesta quinta-feira (10). Segundo o documento, o parlamentar “mantém relação próxima com diversos personagens e empresas beneficiadas pelos recursos públicos”.
Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e citado na representação registra transferências que somam R$ 645,4 mil de Frias para a Go Up Entertainment. A análise abrange movimentações realizadas entre outubro e novembro de 2025.
A corporação também identificou pagamentos de hospedagem, alimentação e outros gastos no período. Os investigadores destacaram a proximidade temporal entre essas despesas e as gravações de Dark Horse, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
A comunicação financeira analisada compreende operações entre 10 de novembro e 30 de dezembro daquele ano. A PF chamou atenção para despesas com hotéis de alto padrão, refeições e serviços de produtoras durante o intervalo correspondente à produção do filme.
A representação também menciona o Instituto Conhecer Brasil, entidade vinculada à empresária Karina Gama, sócia da Go Up Entertainment. Segundo a PF, o elevado volume de recursos públicos movimentado nas contas do instituto seria um indício da continuidade das atividades atribuídas ao grupo investigado.
Os investigadores apontam conexões entre emendas destinadas a organizações não governamentais ligadas a Karina e pagamentos relacionados ao filme. A polícia também suspeita que integrantes do grupo tenham tentado mascarar indícios de fraude depois do início das fiscalizações conduzidas pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Operação Make Up
A Polícia Federal deflagrou a Operação Make Up nesta quinta-feira (10), com apoio da CGU. A ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Segundo a PF, agentes públicos e privados teriam direcionado recursos recebidos por organizações da sociedade civil a empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação da execução dos serviços. As tentativas de ocultar os supostos desvios teriam continuado até julho de 2026.
Levantamentos financeiros identificaram movimentações da ordem de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas. O inquérito apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Fonte: Brasil 247