Marcos Pollon e Bia Kicis teriam indicado emendas para Dark Horse
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) foram identificados como autores de indicações de emendas parlamentares destinadas à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama. A empresária é apontada pelas investigações da Polícia Federal como figura central de uma rede ligada à produção do filme Dark Horse, obra sobre Jair Bolsonaro (PL), e à gestão de organizações da sociedade civil que movimentaram vultosos recursos públicos federais. A despeito das indicações e das suspeitas que cercam a destinação das verbas, os valores não foram efetivamente repassados às contas da entidade em razão de óbices técnicos e normativos na celebração dos termos de parceria, informa decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o levantamento e os relatórios de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) integrados ao inquérito conduzido pelo ministro Dino, Marcos Pollon destinou R$ 1 milhão por meio de emenda parlamentar, enquanto Bia Kicis alocou R$ 150 mil. Ambas as verbas tinham como canal de intermediação o Governo do Estado de São Paulo e visavam supostamente ao financiamento do projeto “Heróis Nacionais”.
As apurações policiais e administrativas destacam uma aparente desconformidade com as exigências de vinculação federativa para o repasse de recursos públicos. Enquanto Pollon foi eleito pelo estado de Mato Grosso do Sul e Bia Kicis pelo Distrito Federal, o destino final das emendas direcionadas à entidade de Karina Gama situava-se no estado de São Paulo, violando os critérios de direcionamento federativo estabelecidos pelas decisões do STF sobre a matéria.
A investigação aponta que a Academia Nacional de Cultura (ANC) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) — este último favorecido por emendas executadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) — compartilham a mesma estrutura de gestão, administradores, e-mails cadastrais e procuradores. Karina Gama figura como presidente de ambas as entidades e como sócia de empresas do grupo, a exemplo da Go Up Entertainment Ltda., responsável pela produção do filme Dark Horse, da Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda. e da Academia Nacional de Cultura.
Além do travamento das verbas indicadas por Pollon e Bia Kicis, as análises financeiras e os Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) fornecidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que a produtora do filme Dark Horse recebeu transferências financeiras de empresas e pessoas contratadas em outros convênios do grupo. Entre as movimentações suspeitas citadas nos autos, a empresa NTT Brasil Ltda., administrada por Heric Fabiano Dias — integrante do grupo empresarial editorial contratado pelo ICB —, efetuou repasses diretos à Go Up Entertainment Ltda., evidenciando, segundo a Polícia Federal, a integração operacional e patrimonial entre os projetos financiados com emendas e a produtora cinematográfica.
Apesar da tentativa de direcionamento e do cadastramento dos projetos, a verba das emendas dos parlamentares do Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal permaneceu bloqueada nos trâmites burocráticos e estaduais, impedindo que o montante de R$ 1,15 milhão ingressasse nas contas da Academia Nacional de Cultura. Os fatos seguem sob apuração nos autos da investigação que tramita no Supremo Tribunal Federal.
Fonte: Brasil 247