Maior assassino do século 21, Netanyahu é vaiado na ONU
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – Representantes do Brasil deixaram o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, nesta quinta-feira (24). A retirada brasileira ocorreu em meio a vaias e a uma saída em massa de representantes de diversos países.
Segundo a Folha de São Paulo, o movimento levou o presidente da sessão, Khalilur Rahman, a pedir ordem mais de uma vez no plenário. A delegação brasileira já havia adotado atitude semelhante durante o discurso de Netanyahu na Assembleia Geral do ano passado.
Retirada ocorre em meio a vaias
Netanyahu reagiu à saída das delegações durante seu pronunciamento. “Se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar”, declarou o primeiro-ministro israelense.
Dezenas de delegações deixaram o salão, enquanto convidados e aliados de Israel presentes nas tribunas manifestaram apoio a Netanyahu. A movimentação levou a presidência da Assembleia a intervir para tentar restabelecer a ordem.
No momento do discurso, a representação brasileira no plenário era composta por funcionários da missão do Brasil junto às Nações Unidas. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecia em Nova York, mas não estava no local.
Lula acusa governo Netanyahu de genocídio
A retirada ocorreu dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticar diretamente o governo israelense durante seu pronunciamento na abertura dos debates da Assembleia Geral.
Ao abordar a situação na Faixa de Gaza, Lula mencionou Netanyahu nominalmente e afirmou: “Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”.
O presidente brasileiro retornou ao Brasil após sua participação na Assembleia Geral e, portanto, já não estava em Nova York nesta quinta-feira.
Vieira participa de ato em defesa da UNRWA
Enquanto Netanyahu discursava, o chanceler Mauro Vieira participava de um evento de apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA). O encontro foi organizado por Brasil, Jordânia e Espanha.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também estava no evento e, por esse motivo, não acompanhava o pronunciamento de Netanyahu no plenário.
Vieira fez críticas às ações de Israel contra a agência das Nações Unidas.
“Há quase três anos, Israel vem conduzindo uma campanha orquestrada contra as operações, instalações e funcionários da UNRWA por meio de ataques militares ilegais, legislação ilícita, desinformação, difamação e perseguição jurídica”, afirmou o chanceler, segundo o relato fornecido pela Folha.
A manifestação do ministro ocorreu no contexto das ações israelenses contra instalações da UNRWA. A sede principal da agência em Jerusalém Oriental foi demolida em janeiro e, em agosto, autoridades israelenses invadiram e confiscaram seu maior centro de formação profissional, localizado em Qalandiya, na Cisjordânia, segundo a reportagem.
Netanyahu enfrenta mandado do TPI
A viagem de Netanyahu a Nova York também ocorre sob o impacto do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro israelense por acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Os Estados Unidos não são parte do Estatuto de Roma, tratado que estabeleceu o TPI, e não reconhecem a obrigação de executar o mandado do tribunal em território norte-americano.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, havia afirmado anteriormente que Netanyahu seria preso caso visitasse a cidade devido ao mandado do TPI. Posteriormente, reconheceu publicamente que não teria autoridade para determinar a prisão.
Protestos contra a presença do primeiro-ministro israelense também ocorreram em Nova York durante a Assembleia Geral.
Abbas participa da Assembleia por vídeo
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também discursou na Assembleia Geral nesta quinta-feira. Diferentemente de Netanyahu, porém, o dirigente palestino participou por videoconferência depois de o governo dos Estados Unidos negar a concessão de visto para sua entrada no país.
Abbas afirmou que o povo palestino atravessa “um dos períodos mais perigosos de sua história” e disse que as ações de Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ameaçam “a própria vida e a existência do povo palestino”.
Fonte: Brasil 247