Lula sugere que Flávio Bolsonaro pretende ficar de quatro para os Estados Unidos

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Por Redação Brasil 247Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas nesta quarta-feira (16) à atuação internacional de aliados do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou que o Brasil não comporta políticos “vira-latas” que se submetem aos Estados Unidos. Em discurso durante ato de campanha em Ceilândia, no Distrito Federal, Lula associou sua crítica à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e afirmou que ele foi enviado pelo irmão para agir contra os interesses brasileiros. As informações são do Metrópoles.

“Este país não comporta político vira-lata. Esse país não comporta político que de dia mostra a bandeira nacional e de noite vai ficar de quatro pros Estados Unidos, para a bandeira americana”, declarou Lula.

Na sequência, o presidente dirigiu suas críticas à família Bolsonaro e vinculou diretamente Flávio à atuação de Eduardo nos Estados Unidos.

“Esse mesmo cidadão [Flávio] mandou o irmão para os Estados Unidos para tramar contra o Brasil. Tá lá o Eduardo Bolsonaro, traidor da pátria, falando mal do Brasil, pedindo para o Trump fazer intervenção no país”, afirmou.

Lula coloca soberania no centro da campanha

As declarações ocorreram no ato “Brasil Pronto pra Mais”, que reuniu Lula e candidatos aliados no Distrito Federal, entre eles Leandro Grass (PT), candidato ao governo do DF, e as candidatas ao Senado Erika Kokay (PT) e Leila Barros (PDT). A primeira-dama Janja Lula da Silva também participou do evento.

Ao utilizar a expressão “ficar de quatro”, Lula não disse literalmente que Flávio Bolsonaro adotaria essa postura. A fala foi feita em uma crítica geral aos políticos que, segundo ele, demonstram patriotismo no Brasil, mas assumem uma posição de submissão diante dos Estados Unidos. Logo depois, porém, Lula acusou Flávio de ter enviado Eduardo ao país para atuar contra o Brasil.

Eduardo e Figueiredo se movimentam em Washington

As declarações acontecem em meio a novas articulações de Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo em Washington. Segundo o Metrópoles, ambos iniciaram nesta quarta-feira uma série de reuniões com integrantes do governo Donald Trump para defender a retomada de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Eduardo e Figueiredo também pretendem defender perante interlocutores norte-americanos a inclusão do ministro Flávio Dino entre as autoridades atingidas por sanções. As movimentações ocorrem depois de o STF adiar a análise de um pedido de investigação contra Moraes no Caso Master, após pedido de vista de Dino.

Lula diz que dará recado a Trump

A defesa da soberania brasileira também estará presente na viagem de Lula aos Estados Unidos. O presidente afirmou que embarcará no domingo (20) para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e que pretende dizer a Donald Trump para não interferir nas eleições brasileiras.

A declaração ocorre em um momento de tensão entre os dois governos. Lula vem sustentando que divergências entre Brasília e Washington devem ser tratadas por meio do diálogo diplomático e sem interferência no processo político brasileiro.

Governo Trump aumenta pressão sobre o Brasil

Segundo o Metrópoles, o governo Trump também fez novas críticas ao Brasil na área de segurança pública. Em documento encaminhado ao Congresso norte-americano, a Casa Branca criticou o combate brasileiro ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV) e afirmou que as duas organizações transformaram o país em um centro de distribuição internacional de cocaína.

O governo Trump classificou PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras em junho. O governo brasileiro se opôs à medida, argumentando que esse enquadramento poderia produzir consequências para a soberania nacional. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apoiou a classificação adotada pelos Estados Unidos.

É nesse contexto que Lula vem tentando transformar a soberania nacional em um dos temas da disputa eleitoral. Em Ceilândia, o presidente contrapôs sua posição à atuação internacional dos irmãos Bolsonaro e afirmou que decisões sobre o futuro político do Brasil devem caber aos próprios brasileiros.

Fonte: Brasil 247

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