Lula resiste, campanha racha e aliados ainda tentam convencer presidente a ir ao debate da TV Globo

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Por Fabio MuraKawa — JOTA

O presidente Lula (PT) disse ontem à cúpula de sua campanha que não pretende participar do debate da TV Globo, marcado para quinta-feira (1/10), três dias antes do primeiro turno. Uma ala da campanha, porém, ainda tenta convencê-lo a mudar de ideia, e uma nova rodada de conversas nesta terça-feira (29/9) deve servir para bater o martelo.

Lula tem argumentado nas conversas que, no formato atual dos debates presidenciais, seria alvo de todos os adversários e teria pouco tempo para responder. Também considera que os encontros dão margem excessiva a ataques pessoais e à produção de cortes para as redes sociais, enquanto oferecem pouco espaço para uma discussão mais aprofundada de propostas.

O presidente do PT, Edinho Silva, vocalizou parte desse raciocínio nesta segunda, mas seus argumentos reproduzem a avaliação feita pelo próprio Lula nas conversas internas.

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A decisão de Flávio Bolsonaro (PL) de comparecer tornou a escolha mais difícil. Se for, Lula sabe que entrará no estúdio como alvo preferencial dos adversários. Além de Flávio, estarão presentes Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) — ambos tidos como possíveis ministeriáveis de Flávio. Com chances quase zeradas de avançar ao segundo turno, dificilmente a dupla partirá para o ataque contra o filho de Jair Bolsonaro. Nesse contexto, a possibilidade de a dupla servir como linha auxiliar do candidato do PL — em uma versão menos caricata do que a do Padre Kelmon — é gigantesca.

Se Lula faltar, por outro lado, deixará o campo aberto para ataques e terá sua ausência exposta diante da audiência da maior emissora do país. Em 2022, o último debate da Globo antes do primeiro turno alcançou cerca de 50 milhões de pessoas.

O grupo liderado por Sidônio Palmeira, ministro da Secom, pensa que o prejuízo eleitoral da cadeira vazia no estúdio da maior rede de TV do Brasil pode ser enorme. Em contraposição, uma outra ala avalia que o custo da ausência tende a ser limitado e que o risco maior está no palco. Uma gafe, uma frase mal colocada ou uma reação ruim pode ganhar enorme repercussão a apenas três dias da votação.

Há outro elemento no cálculo. Lula chega à reta final em um momento mais favorável da campanha, depois de uma sequência de fatos que o Planalto considera positivos: o aumento do Bolsa Família, o fim das bets e o anúncio do Desenrola 3.0, além da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, que colocou Flávio na defensiva. Para parte dos auxiliares, é justamente quando o presidente recupera terreno que faria menos sentido submetê-lo a um evento de alto risco e resultado imprevisível.

Pesa também a avaliação, compartilhada por parte dos auxiliares, de que Lula costuma se sair melhor em entrevistas do que em debates. O confronto com Padre Kelmon no debate da Globo de 2022 é lembrado como exemplo de risco. Lula se irritou em diferentes momentos com o candidato, que concentrou parte de suas intervenções em ataques ao petista.

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Plano B caso a opção seja pela ausência

Se Lula mantiver a decisão de faltar, a campanha discute um plano B para reduzir o espaço deixado aos adversários. Uma das alternativas é colocar o presidente, no mesmo horário, em um podcast de grande audiência. A escolha do programa ainda estava em discussão nesta segunda-feira.

Apesar de Lula ter afirmado internamente que não vai, parte de seus auxiliares ainda tratam a decisão como reversível. O martelo deve ser batido nesta terça, depois de nova conversa com o núcleo da campanha. Mesmo assim, ninguém descarta uma mudança até quinta-feira, a depender do ambiente eleitoral.

Foi justamente uma mudança nesse ambiente, com a polêmica em torno de Nossa Senhora Aparecida, que levou Flávio a rever sua posição e confirmar presença no debate. O episódio ganhou enorme repercussão nas redes sociais nos últimos dias e adicionou uma nova variável à reta final. Flávio decidiu ir à Globo, em parte, para se defender da polêmica.

Em uma eleição apertada, o dilema de Lula é escolher entre dois riscos difíceis de medir. Ir significa se expor a uma noite imprevisível diante de milhões de eleitores. Faltar significa entregar aos adversários um palco nacional sem direito a resposta. Qual das duas escolhas custará mais votos, se alguma delas custar, só começará a ficar claro quando as urnas forem abertas na noite de domingo, 4 de outubro.

Fonte: JOTA

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