Lula: proposta de “tesouraço” de Flávio Bolsonaro é “aberração”

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “aberração” a proposta de cortes de gastos públicos, chamada de “tesouraço”, defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Lula criticou a iniciativa nesta quinta-feira (8), durante uma entrevista coletiva, e alertou para os possíveis efeitos das medidas sobre programas sociais e investimentos em áreas essenciais.

O presidente associou a proposta do adversário às reduções orçamentárias identificadas por sua equipe durante a transição de governo, no fim de 2022. Segundo Lula, a situação encontrada antes de sua posse, em janeiro de 2023, exigiu a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para assegurar recursos destinados a políticas públicas.

“E uma outra coisa que eu queria conversar com os nossos senadores, com os nossos parlamentares, e que tem levado a uma aberração do ponto de vista de proposta política, é a ideia do tesouraço”, afirmou Lula.

O petista citou cortes em programas de saúde, prevenção de doenças e infraestrutura educacional para sustentar suas críticas à possibilidade de uma nova redução expressiva das despesas federais.

De acordo com os números apresentados pelo presidente, o orçamento deixado pelo governo de Jair Bolsonaro previa uma redução de 59% nos recursos do Farmácia Popular e de 50,7% nas verbas destinadas ao Mais Médicos.

Lula também mencionou cortes de 45% no orçamento para prevenção e controle do câncer e de 97% nos recursos voltados à infraestrutura escolar.

“Quando eu cheguei à presidência, em 2023, a gente teve que fazer uma PEC da transição antes de eu tomar posse”, declarou.

Os percentuais foram utilizados pelo presidente como exemplos das dificuldades orçamentárias enfrentadas no início de seu terceiro mandato. Lula afirmou que a experiência demonstra a necessidade de observar quais políticas públicas poderiam ser atingidas por propostas de ajuste fiscal.

A crítica ocorreu no mesmo dia em que integrantes da campanha petista intensificaram as manifestações contra o plano econômico atribuído a Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, aliados do presidente argumentaram que uma redução abrangente dos gastos poderia ameaçar a continuidade de iniciativas como o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia.

O Farmácia Popular oferece acesso gratuito a medicamentos e insumos contemplados pelo programa federal. Já o Pé-de-Meia concede incentivos financeiros a estudantes do ensino médio público que atendem aos critérios estabelecidos pelo governo.

As manifestações da campanha de Lula buscaram relacionar a discussão sobre equilíbrio das contas públicas à manutenção dos recursos necessários para financiar essas iniciativas.

A declaração também ampliou o confronto entre os dois candidatos sobre a condução da política econômica. Lula defende a preservação dos investimentos e das despesas sociais, enquanto a proposta de “tesouraço” atribuída a Flávio passou a ser alvo de questionamentos sobre o alcance das reduções pretendidas.

O debate ocorre durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência após avançarem pela primeira etapa da votação, realizada no domingo (4).

As propostas de ajuste fiscal e o financiamento dos programas sociais estão entre os temas que passaram a integrar o confronto eleitoral nesta etapa da disputa.

Fonte: Brasil 247

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