Lula pode vencer no 1º turno, mas subestimamos Flávio e o fascismo, avalia Genoino
Por Leonardo Miazzo — Carta Capital
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‘Devíamos ter planejado uma campanha mais ofensiva e polarizada desde o início’, acrescenta o ex-presidente do PT
O presidente Lula (PT) pode conquistar a reeleição neste domingo 4 — embora a tendência seja de resolução no segundo turno —, mas o campo progressista subdimensionou mais uma vez a força do bolsonarismo, afirmou a CartaCapital o ex-deputado federal e ex-presidente do PT José Genoino.
“Eles têm base social diante do desespero da população, têm o apoio de segmentos da classe dominante e da burguesia brasileira e internacional”, disse Genoino. “Devíamos ter planejado uma campanha mais ofensiva, mais estruturante e mais polarizada desde o início.”
Nestes dois dias até o primeiro turno, acrescenta Genoino, Lula tem de centrar esforços no convencimento de eleitores indecisos. O caminho, segundo ele, é combinar demonstrações de força em atos de rua — em especial no encerramento da campanha, neste sábado, em São Paulo — com o “corpo a corpo” em casa, no trabalho e em outros espaços de convivência.
“Há um movimento micro por dentro das relações político-sociais de mudança de voto, e a eleição pode ser decidida no primeiro turno”, completou Genoino.
Para vencer já neste domingo, Lula — ou Flávio Bolsonaro (PL) — precisa conquistar mais de 50% dos votos válidos. Segundo uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira 1º, o petista atingiria 45% dos válidos, contra 40% do filho de Jair Bolsonaro.
Leia os destaques da entrevista:
CartaCapital: A eleição pode terminar neste domingo?
José Genoino: É a eleição mais complexa e mais desafiadora desde a redemocratização. Também é uma eleição que revelou as entranhas do Brasil, e ela provavelmente vai para o segundo turno. Não descarto, porém, a possibilidade de se decidir no primeiro, porque há uma faixa do eleitorado indeciso que está mudando de voto. E há um eleitorado dos candidatos adversários de direita que está repensando, diante de fatos negativos que atingem as suas candidaturas.
É uma eleição complexa, que derrotou muitas previsões e até a “Vênus Platinada”. Pela primeira vez a Globo foi derrotada, porque ela sempre quis ser a tutora do processo democrático, definir o que é a democracia, exercer a tutela.
É uma eleição que também tem uma repercussão internacional muito grande. É uma das disputas mais importantes do mundo em 2026, comparável à dos Estados Unidos no meio de mandato. E tem muita coisa em jogo: soberania, direitos do povo, a própria questão democrática e de um golpe em continuação.
CC: O PT subestimou Flávio Bolsonaro?
JG: Essa subestimação do campo bolsonarista, expressão familiar que representa o fascismo da crise do neoliberalismo, ocorreu na eleição de 2018 e continuamos subestimando na eleição de 2022 e agora, achando que a eleição seria facilitada pela política desenvolvida até o meio do mandato de Lula 3.
Eles têm base social diante do desespero da população, têm o apoio de segmentos da classe dominante e da burguesia brasileira e internacional. Devíamos ter planejado uma campanha mais ofensiva, mais estruturante e mais polarizada desde o início.
CC: Lula acertou ao não participar do debate da Globo?
JG: Acertou, mesmo não sendo a posição comum da direção do partido ou da direção da campanha, porque ele forçou uma explicitação das regras da Globo.
A Globo pode ter a cadeira lá para sinalizar que ele está ausente, mas dialogar com a cadeira, fazer pergunta à cadeira? Acho que eles foram longe demais. Foi bom Lula ter criticado isso e derrotado a Globo.
Foi uma vitória, porque a extrema-direita se juntaria para desgastar a imagem de Lula. E ele fez bem ao dar uma entrevista muito boa, contundente e certeira para o podcast Flow. Mais uma vez, a sensibilidade o ajudou a tomar uma decisão que não era comum na maioria da direção da campanha nem do partido.
CC: O que resta a fazer nestas últimas horas até a eleição?
JG: Temos de mirar o eleitorado indeciso, que está virando voto, que quer mais informação e mais explicação. Temos de combinar demonstração de força, como está ocorrendo no Rio de Janeiro, no Nordeste, em Belo Horizonte — e vai ocorrer aqui em São Paulo, no sábado — e o corpo a corpo com o vizinho, o trabalho e a família.
Há um movimento micro por dentro das relações político-sociais de mudança de voto, e a eleição pode ser decidida no primeiro turno.
Leonardo Miazzo
Editor de CartaCapital
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Fonte: Carta Capital