Lula na ONU: “liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade”
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira (22) durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Nova York, nos Estados Unidos.
Em seu pronunciamento, Lula destacou que esta foi a décima vez que teve a oportunidade de abrir os trabalhos da Assembleia Geral da entidade multilateral, apontando que o momento atual representa o cenário internacional mais grave observado nas últimas duas décadas. “Desde 2003, este é o momento mais crítico. O sentimento que me move hoje é o da indignação”, declarou o mandatário.
Durante a declaração, o líder brasileiro fez duras críticas à atuação das Nações Unidas diante dos crescentes conflitos globais e apontou uma perda de eficácia da instituição na mediação da paz global. “A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: livrar a humanidade da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis nunca foi tão pequena. Somos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”, afirmou.
Ao abordar a estrutura da governança global, o presidente relembrou o posicionamento histórico da diplomacia brasileira quanto ao funcionamento dos órgãos decisórios da organização. “Em 1946, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Este vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. Este pecado original soma-se agora a uma profunda crise de liderança”, salientou Lula, citando ainda que o ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Em apelo aos países-membros e aos integrantes permanentes do órgão de segurança, o presidente cobrou ação imediata e posicionamento pragmático frente aos desgastes diplomáticos. “Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes do Conselho de Segurança precisam se reunir. As concessões à lei do mais forte já passaram do limite. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo. A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, enfatizou.
Ao concluir o discurso com uma reflexão sobre o papel dos governantes mundiais, o presidente ressaltou suas trajetórias pessoal, política e institucional para fundamentar sua mensagem em favor da paz global. “Liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade. Esta é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade. Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de Estado. É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome”, finalizou.
Fonte: Brasil 247