Lula lidera em 10 estados e Flávio Bolsonaro em 8; “última semana será decisiva”, diz diretor da Quaest
Por Guilherme Levorato — Brasil 247
247 – O cenário para a corrida presidencial indica um empate no agregado nacional, contudo, o mapeamento realizado pelas pesquisas regionais nesta semana revela divisões geográficas bem demarcadas em todo o país. De acordo com dados divulgados pelo diretor do instituto de pesquisas Quaest, Felipe Nunes, neste domingo (27), a disputa pelo Palácio do Planalto desenha um mapa do primeiro turno dividido em “três Brasis”. O presidente Lula (PT) aparece na liderança em dez unidades federativas, abrangendo todos os nove estados do Nordeste e o Amapá. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera a preferência do eleitorado em oito estados: Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima. Outros nove estados apresentam empate técnico dentro da margem de erro, entre eles praças eleitorais decisivas como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
“O voto de Lula hoje é quase uma cópia de 2022. A correlação entre a intenção de voto em cada estado e o resultado do 1º turno de 2022 é de 0,98. É a calcificação em números. O mesmo vale do outro lado. O voto em Flávio repete o de Jair em 2022, com correlação de 0,95. Trocou o nome, o eleitorado ficou”, afirmou Felipe Nunes sobre a estabilidade do eleitorado em relação ao pleito anterior.
Movimentações regionais e eleitores independentes
A análise detalhada mostra que Lula aprofundou seu desempenho onde já registrava histórico de votação expressiva. O presidente cresceu no Maranhão (+7), na Bahia (+6), na Paraíba (+4) e em Sergipe (+4), além do Amapá (+6). Fora desse eixo, as variações oscilaram do Distrito Federal (+3) até quedas em Goiás (-3) e Tocantins (-3).
Por outro lado, Flávio Bolsonaro registrou avanços em relação ao desempenho do pai em 2022 no Norte e no Centro-Oeste — com altas em Rondônia (+6), Mato Grosso (+5) e Pará (+4) —, além de um crescimento na Bahia (+5). Em contrapartida, o candidato apresentou recuos nas praças onde a direita possui alternativas políticas consolidadas, como no Distrito Federal (-8), em Goiás (-6, estado governado por Ronaldo Caiado), no Paraná (-3), no Rio Grande do Sul (-3) e no Espírito Santo (-3).
Felipe Nunes chama a atenção para a relevância desse eleitorado não alinhado: “por que isso importa? Porque o jogo está nos independentes”. Eles representam entre 24% e 36% do total de votantes nos estados, atingindo o topo no Rio de Janeiro (36%), no Amazonas (35%), em Tocantins (33%), no Rio Grande do Sul (33%) e em Goiás (33%).
Lula consegue avançar além de sua base tradicional: em quase todos os estados, tem mais voto que a soma dos eleitores declaradamente lulistas e da esquerda não lulista, sobretudo no Nordeste. Flávio Bolsonaro, por sua vez, enfrenta dificuldades para consolidar sua base total em locais como Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo, onde fica abaixo da soma total da direita.
Aprovação do governo, rejeição e expectativa de vitória
A avaliação da gestão federal ajuda a explicar a divisão do mapa: o saldo de aprovação é positivo no Nordeste, no Amazonas (+7) e no Pará (+4), mas se mantém negativo em todo o Centro-Sul. Minas Gerais (-5) e Tocantins (-3) registram cenários de empate na aprovação, figurando como estados diretamente em disputa.
O sentimento de rejeição e o temor do eleitorado organizam diretamente a formação do voto. No Nordeste, quase 60% dos entrevistados afirmam temer o retorno da família Bolsonaro. Em contrapartida, nas regiões Norte e Sul, até 64% relatam medo de mais um mandato de Lula. O grupo de eleitores que teme ambos os lados chega a 8% em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás, constituindo a parcela onde reside o eleitor em disputa.
Apesar dos empates regionais, a percepção de favoritismo pende para o atual chefe do Executivo. Em São Paulo, mesmo em cenário de empate ou desvantagem, 50% dos eleitores acreditam na vitória de Lula, contra 35% que apostam em Flávio. No Rio de Janeiro, o placar de expectativa de vitória é de 49% a 37% a favor de Lula; no Paraná, atinge 44% a 40%. Flávio Bolsonaro só é apontado pela maioria da população como o provável vencedor em 7 estados.
Volatilidade e o cenário para governos estaduais e Senado
A margem para mudanças de última hora permanece aberta. Entre quem já declara voto, a fatia dos que admitem que a escolha pode mudar varia de 11% a 23%. Os eleitores mais voláteis concentram-se no Paraná (23%), Amapá (21%), São Paulo (20%), Santa Catarina (20%), Minas Gerais (19%) e Distrito Federal (19%).
Em relação às disputas locais, a regra nos estados busca uma resolução antecipada. Pelo critério mais rigoroso (líder isolado acima da soma dos demais, fora da margem de erro), 7 estados já apresentam um vencedor provável no primeiro turno para o governo estadual: Roraima, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Outros 14 estados mantêm quadros indefinidos dentro da margem.
Contudo, a aprovação estadual não vira voto automático. Em todos os estados, o candidato apoiado pelo governo local contabiliza menos votos do que o índice de aprovação da gestão. O caso extremo ocorre no Paraná, onde cerca de 80% aprovam o governo, mas o candidato do governador tem apenas 20% das intenções de voto.
A indecisão do eleitorado sobre a escolha de nomes locais ainda é expressiva. Na pesquisa espontânea para governador, a taxa de indecisos varia de 18% no Amapá a 65% em Mato Grosso, sendo que em 13 estados mais da metade do eleitorado ainda não cita nenhum candidato. Para o Senado Federal, a disputa está ainda mais aberta: em 22 estados, mais de 60% dos entrevistados não apontam nenhum candidato na espontânea, proporção que alcança 79% no estado de São Paulo.
Ao analisar a alta proporção de indecisos no levantamento espontâneo, Felipe Nunes apontou: “Se nem o eleitor sabe em quem vai votar, a pesquisa não tem como adivinhar”.
Nas demandas cobradas pela população aos governantes, a violência lidera as preocupações no Rio de Janeiro (62%), no Ceará (54%) e na Bahia (40%). A área da saúde figura como o principal problema apontado na maioria dos outros estados, atingindo 60% no Distrito Federal. No Rio Grande do Sul, os impactos das enchentes ainda são citados por 25% do eleitorado.
Sintetizando o quadro eleitoral do país, o especialista concluiu: “Resumo: o empate nacional esconde um país calcificado, um eleitor independente concentrado no Centro-Sul que ainda pode se mover, e estados com pressa de resolver a eleição para governador. A última semana vai ser decisiva”.
A eleição presidencial está empatada no agregado. Mas as pesquisas Quaest desta semana em 26 estados (e o Datafolha no PI) mostram padrões muito claros por baixo desse empate. Vou mostrar os principais. 1/18
— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) September 27, 2026
Fonte: Brasil 247
A eleição presidencial está empatada no agregado. Mas as pesquisas Quaest desta semana em 26 estados (e o Datafolha no PI) mostram padrões muito claros por baixo desse empate. Vou mostrar os principais. 1/18