Lula levará à ONU defesa do multilateralismo e da reforma do Conselho

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Por Leonardo LucenaBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende levar à 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York (EUA), a defesa do multilateralismo, da negociação para solucionar disputas e de mudanças no Conselho de Segurança da ONU, informou nesta sexta-feira (18) a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). 

Segundo o comunicado, Lula permanecerá nos Estados Unidos entre os dias 20 e 22 de setembro e fará o discurso de abertura do Debate Geral na terça-feira (22).

O presidente também terá uma reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e cumprirá uma agenda de encontros bilaterais. Lula chegará a Nova York na noite de domingo (20), reservará a segunda-feira (21) às reuniões com outras autoridades e retornará ao Brasil na terça-feira, depois de participar da Assembleia e se encontrar com Guterres.

A ONU programou o Debate Geral da 81ª sessão entre 22 e 26 de setembro, com conclusão no dia 28. O tema definido para este ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A programação oficial das Nações Unidas confirma o período do debate e a abertura da sessão em 8 de setembro.

Multilateralismo e conflitos internacionais

O governo brasileiro prevê que o presidente concentre parte do pronunciamento na defesa do multilateralismo, princípio que ocupa espaço na política externa brasileira. O discurso também deverá abordar a ampliação dos conflitos internacionais e a necessidade de utilizar negociações para resolver disputas entre países.

A Presidência informou que Lula pretende defender o respeito ao direito internacional humanitário e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros Estados. O presidente também deverá apresentar as posições brasileiras sobre temas que integram a agenda internacional.

A reforma das Nações Unidas ocupará outro eixo do pronunciamento. Segundo o documento da Secom, o Brasil pretende voltar a defender mudanças na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança. 

O governo brasileiro sustenta há anos que a estrutura do órgão precisa acompanhar as transformações internacionais e critica as limitações do Conselho diante de conflitos.

O Brasil mantém desde 1955 a tradição de fazer o primeiro discurso nacional no Debate Geral da Assembleia Geral. Na edição de 2026, Lula assumirá novamente essa posição na abertura de terça-feira. A sessão terá a presidência de Khalilur Rahman, ministro das Relações Exteriores de Bangladesh.

A viagem marcará a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral como presidente da República. Segundo a Presidência, ele deixou de comparecer ao encontro apenas em 2010 durante seus três mandatos.

Lula terá encontro com António Guterres

A reunião entre Lula e António Guterres ocorrerá na última Semana de Alto Nível da Assembleia Geral com o diplomata português à frente da ONU. O segundo mandato de Guterres termina em 31 de dezembro de 2026.

Além do encontro com o secretário-geral, o governo reservou a segunda-feira para reuniões bilaterais. A Secom informou no release de 18 de setembro que essas agendas ainda passavam por definição.

A Assembleia Geral reúne anualmente representantes dos países que integram as Nações Unidas. A organização conta com 193 Estados-membros e mantém Palestina e Santa Sé como Estados observadores. A Semana de Alto Nível concentra chefes de Estado e de Governo, ministros e outras autoridades em Nova York.

Mauro Vieira terá agenda com BRICS, G77 e G4

A participação brasileira continuará depois do retorno de Lula. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York durante a semana e participará de encontros ministeriais dos BRICS, do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), do G77, do G4, do L69 e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A agenda também inclui reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e do Consenso de Brasília.

Vieira comandará dois encontros ministeriais durante a programação. No dia 23, presidirá a reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa que o Brasil lançou durante sua presidência do G20. No dia seguinte, conduzirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS).

O Brasil exerce atualmente a presidência da ZOPACAS, após a 9ª Reunião Ministerial da organização, realizada em abril. O mandato brasileiro à frente do mecanismo terá duração de três anos.

Delegação terá agendas sobre fome, Palestina e direito humanitário

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também viajará a Nova York. Ele participará de compromissos entre 21 e 23 de setembro relacionados à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional. Dias atua como copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e estará presente na reunião do grupo marcada para o dia 23.

A delegação brasileira também acompanhará reuniões do Conselho de Segurança da ONU e encontros dedicados à situação da Palestina, à solução de dois Estados, ao combate à desigualdade, à Comissão de Consolidação da Paz e ao direito internacional humanitário.

A comitiva contará ainda com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; o ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. Cada integrante participará de compromissos relacionados às atribuições de sua pasta.

A ONU iniciou a 81ª sessão da Assembleia Geral em 8 de setembro. Além dos discursos de chefes de Estado e de Governo no Debate Geral, a programação da Semana de Alto Nível reúne encontros bilaterais, reuniões ministeriais e eventos dedicados a temas da agenda internacional.

Fonte: Brasil 247

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