Lula: “Flávio Bolsonaro tem o rabo preso ao Banco Master mais do qualquer um”
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (16), que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstra uma “obsessão” contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de tentar desviar a atenção de suas próprias ligações e responsabilidades. Durante entrevista ao programa Desce a Letra Show, transmitido no YouTube, o chefe do Executivo rebateu as acusações feitas pela oposição sobre a indicação do magistrado e assegurou que defenderá a apuração rigorosa e o julgamento de qualquer pessoa que tenha cometido delitos.
Ao comentar os recentes ataques promovidos pelo parlamentar fluminense contra o STF, Lula sustentou que a animosidade do clã Bolsonaro contra o ministro Moraes não tem relação com o escândalo financeiro do Banco Master, mas sim com a atuação do magistrado em investigações cruciais que atingiram o núcleo bolsonarista. “Você veja como é a mentira. Nós estamos vendo aquele julgamento na Suprema Corte. Ontem o meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes e isso e aquilo. A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master. Não é por isso que ele tem raiva, porque ele sabe que ele tem o rabo preso ao Banco Master mais do qualquer outra pessoa”, disse o presidente.
O presidente detalhou os reais motivos que, em sua avaliação, causam o temor e o ressentimento da família do ex-mandatário Jair Bolsonaro em relação às decisões tomadas na Suprema Corte. “A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle. A bronca dele é porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Esse é o pavor dele. E a bronca dele é porque essa apuração que está tendo na Suprema Corte vai descobrir quem é de verdade que está metido nisso”, pontuou Lula.
Durante a entrevista, Lula também rebateu categoricamente as tentativas da oposição de vincular o atual governo a fraudes e irregularidades ocorridas na Previdência Social, ressaltando que o esquema foi estruturado durante a gestão anterior. “Por exemplo, eles criaram a quadrilha do INSS. Eles criaram a quadrilha no governo Bolsonaro. Nós, em dois anos, descobrimos a quadrilha, já prendemos quase todos eles, já tomamos bens de quase R$ 6 bilhões, já pagamos quase 5 milhões de aposentados, investindo R$ 3,5 bilhões para pagar o roubo que eles fizeram na Previdência Social. E eles tentam passar a ideia de que é nosso. Eles montaram a quadrilha, nós prendemos”, desabafou.
O chefe do Executivo rebateu ainda ilações que buscam associar seus familiares a investigados, apontando as reais conexões do senador do PL. “‘Ah, o filho do Lula é sócio do Careca [do INSS]’. E quem tem um escritório junto com o Careca é ele, o Flávio. Então nós temos que desmontar essa coisa”, frisou.
Lula aproveitou a oportunidade para desconstruir a narrativa sobre a escolha de integrantes da Corte Suprema, ressaltando que cabia justamente ao Senado Federal, onde Flávio Bolsonaro já atuava, a sabatina e aprovação dos nomes indicados. “Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele [Flávio Bolsonaro] era senador. Ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kassio [Nunes Marques]. Ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado, não eu”, destacou.
Sobre o curso das apurações em andamento na Justiça, o presidente reiterou sua posição em defesa da legalidade, do devido processo legal e da igualdade de todos perante a lei, sem distinção de cargo ou influência. “E eu quero dizer em alto e bom som: todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo, com direito de defesa. Mas se a pessoa cometeu um delito a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin… Essa é minha tese”, ressaltou.
Por fim, Lula prestou solidariedade e elogiou a atuação do ministro Alexandre de Moraes na condução da Justiça Eleitoral brasileira durante o último pleito presidencial, destacando a resistência institucional contra os ataques proferidos ao sistema de votação. “Acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE na eleição em que eu ganhei. Ele sabe e o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido. Um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com 160 milhões de eleitores, e você sabe o resultado duas horas depois de acabar a eleição. Se fosse possível roubar na urna, eu não teria sido presidente. Você acha que eu ia ganhar do Serra? Do Alckmin? Jamais. A urna é uma coisa muito séria e ela não está subordinada à internet. Por isso não há manipulação”, concluiu.
Fonte: Brasil 247