Lula errou na fala, mas Flávio perdeu a compostura no debate da Band: eleitor indeciso pagou a conta

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Por Tathyane Melo — Jornal Opção

Lula errou na fala, mas Flávio perdeu a compostura no debate da Band: eleitor indeciso pagou a conta

No debate realizado no domingo, 18, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) finalmente dividiram o mesmo palco, na Band, após ambos faltarem aos debates do primeiro turno. O encontro, porém, foi marcado por bate-bocas, interrupções, provocações e descumprimento de regras. A jornalista Adriana Araújo precisou intervir diversas vezes para chamar a atenção de Flávio, cuja postura também provocou manifestações de desaprovação da plateia.

A postura dele mostrou que, além da falta de respeito com o candidato à reeleição, que ainda é o presidente do Brasil, esse foi um comportamento baixo para alguém que pede o voto dos brasileiros. A bagunça, aliás, começou já no primeiro bloco, quando cada candidato tinha 15 minutos para falar livremente e, sem moderação, os dois só souberam se atacar. Quase nada foi dito sobre propostas. Pensando no eleitor que ligou a TV para decidir seu voto, ele provavelmente saiu com uma impressão ainda pior da política brasileira.

Mas os dois não saíram prejudicados na mesma medida. Na minha percepção, Lula se portou melhor durante o debate. Um de seus melhores momentos foi quando defendeu a abertura dos sigilos bancários, tanto o dele quanto o de Flávio – que desconversou. Por outro lado, o presidente tropeçou na comunicação. Trazer números é positivo para quem já acompanha política, mas quem assiste do “sofá” precisa de acessibilidade, não de termos técnicos.

Lula também errou ao repetir as mesmas afirmações. Quando Flávio levantou as investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o presidente respondeu várias vezes: “Isso é com a PF”. Ele poderia ter usado o momento para rebater com outra informação, como o relatório da Polícia Federal que revelou diversos encontros, ligações e mensagens entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso no fim de 2025. Ao insistir na mesma resposta, ele enfraqueceu a própria defesa e perdeu a chance de se conectar melhor com o público.

Entretanto, é visível que o desgaste veio de Flávio. Foi notável a sua conduta de desrespeito às regras do embate. O senador se posicionou atrás de Lula enquanto o presidente falava, fazendo caretas, gestos de negação e zombarias ao fundo da tela. A plateia percebeu primeiro e logo após Lula, que reclamou  e os mediadores reforçaram que circular pelo local era permitido, mas que não se podia atrapalhar quem estava com a palavra. Flávio também escreveu “corrupto” na palma da mão e disse que a palavra era formada pelas letras do Partido dos Trabalhadores (PT), mais uma vez em um gesto grosseiro, numa noite que, para mim, foi marcada por falas que distorceram o que o adversário disse.

Soma-se a isso o fato de que Flávio fugiu das perguntas mais do que Lula e praticamente não apresentou propostas. Fez pouco mais do que deboches e rodeios. Se um candidato não consegue se conter e manter uma postura respeitosa diante das câmeras, como confiar que vai cumprir o que promete e que será capaz de governar com honra? Para quem já decidiu o voto, tudo isso talvez passe despercebido. Para quem está em dúvida, porém, essa disputa sem ideias mostrou como Flávio Bolsonaro pode ser um agente do caos.

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Fonte: Jornal Opção

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