Lula diz que pediu à PF investigação sobre disputa entre Flávio Bolsonaro e Richarlison
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pediu à Polícia Federal (PF) que investigue a disputa envolvendo o atacante Richarlison, do Tottenham, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. “Onde é que foi feito o trambique, que tiraram do ‘pai do bebê’ uma ilha que ele tinha pagado R$10 milhões por ela?”, questionou o presidente em vídeo publicado nas redes sociais.
Lula afirmou que pretende esclarecer as circunstâncias da disputa e prometeu divulgar as informações apuradas. “Nós estamos investigando. Pode ficar certo, meu querido, nós vamos dizer a verdade pra você. Tenha paciência que as coisas vão ser esclarecidas. Um abraço!”, declarou.
Lula relata suspeitas sobre a transferência do imóvel
No vídeo, o presidente afirmou que Richarlison havia iniciado os procedimentos para regularizar a propriedade junto à Superintendência do Patrimônio da União (SPU), no Rio de Janeiro. Segundo Lula, Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz visitaram o local, fizeram imagens com um drone e apresentaram documentação ao órgão.
“E de repente ele viu a ilha dele desaparecer”, disse Lula, ao relatar o que considera suspeito na condução do caso. O presidente também afirmou que o jogador já havia procurado a SPU cerca de um ano antes e questionou a rapidez com que o procedimento relacionado a Tomaz teria avançado.
“Foi no mesmo SPU que ele tinha dado entrada há um ano atrás. Em apenas uma semana, esse Willer Tomaz, possivelmente com a ajuda do Flávio, conseguiu tomar a ilha do Richarlison”, declarou.
Ao final, Lula reiterou que pediu à Polícia Federal que investigue o caso para esclarecer como o jogador perdeu a posse do imóvel. As declarações do presidente se somam às acusações públicas feitas pelo atacante, que questiona a transferência da propriedade e afirma ter sofrido um prejuízo milionário.
Richarlison acusa Flávio Bolsonaro e advogado
O caso voltou ao debate público após Richarlison divulgar um vídeo no sábado (17), no qual retomou as acusações contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O jogador afirma que se recusou a vender o imóvel ao senador e que, posteriormente, perdeu a posse em meio a uma disputa judicial.
“Eu não quis vender a ilha para ele. Como não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça. A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha. Aí a Justiça falhou. Os caras tomaram a ilha sem gastar um tostão, até onde eu sei. Gastei em torno de R$ 10 milhões lá e não recebi nada”, afirmou o atacante.
A controvérsia envolve uma negociação realizada entre 2020 e 2021. Na época, Richarlison teria participado da aquisição da mansão em sociedade com Alencar da Silveira Júnior, então presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu empresário naquele período.
A disputa sobre os direitos relativos ao imóvel passou pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em março de 2025, uma decisão desfavorável às empresas ligadas ao jogador e ao antigo empresário representou um revés na tentativa de manter os direitos sobre a propriedade.
Em agosto daquele ano, a Sport 70 e Renato Velasco desistiram do processo após recursos sem sucesso. Atualmente, o imóvel está sob posse da WT Administração de Imóveis, empresa vinculada a Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro nega envolvimento
Flávio Bolsonaro nega ter participado de qualquer negociação envolvendo a ilha. Em novembro de 2022, quando o caso ganhou repercussão, o senador afirmou que havia sido arrolado como testemunha em uma disputa imobiliária na qual, segundo ele, não tinha envolvimento.
“A defesa dele me arrolou como testemunha numa disputa de imóvel no RJ, sem eu ter absolutamente nada a ver com o tema. Parabéns ao craque Richarlison pelo golaço e pela 1ª vitória do Brasil na Copa do Mundo”, declarou na ocasião.
Segundo o UOL, Flávio visitou o local em 2021, acompanhado de Willer Tomaz. Na ocasião, o advogado teria sido informado de que o imóvel havia sido vendido à empresa ligada ao atacante.
Em julho de 2026, a assessoria do senador voltou a rejeitar as acusações e afirmou que ele “não comprou, vendeu, intermediou e nem possui qualquer vínculo com o imóvel em questão; tentar associá-lo é factualmente infundado e eleitoralmente motivado”.
A equipe também sustentou que a participação do parlamentar no caso se limitou à condição de testemunha e que o processo já havia sido encerrado.
Por que Richarlison é chamado de pai do bebê?
O apelido “pai do bebê” surgiu de uma brincadeira familiar que viralizou nas redes sociais. A expressão aparece nas manifestações públicas sobre o jogador e foi incorporada por Lula ao comentar o caso.
Fonte: Brasil 247