Lula destaca melhora de indicadores econômicos e promete avanços em próximo mandato: “tem que continuar crescendo”

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Por Luis Mauro FilhoBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou nesta terça-feira (15) a evolução da inflação, do emprego, da renda e do salário mínimo durante seu terceiro mandato e contrapôs esses indicadores aos registrados no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Candidato à reeleição, Lula afirmou que os resultados sustentam sua defesa da continuidade da atual política econômica, embora tenha reconhecido que o custo dos alimentos ainda representa um problema.

As declarações foram dadas ao Jornal da Record, em entrevista ao vivo conduzida por Mariana Godoy e Eduardo Ribeiro no Palácio da Alvorada. Lula abriu a série de entrevistas da emissora com candidatos à Presidência da República.

“É preciso que a economia continue crescendo, que a gente continue fazendo distribuição de renda, aumentando o salário mínimo acima da inflação e gerando mais empregos de qualidade. Também é preciso fazer com que a inflação baixe para que as pessoas possam pagar suas contas”, afirmou.

A comparação feita pelo presidente encontra respaldo em alguns dos principais indicadores oficiais quando se confronta o fim do governo Bolsonaro com os números mais recentes, embora os períodos e as condições econômicas não sejam idênticos.

Inflação cai em relação ao fim do governo Bolsonaro

Lula colocou o comportamento da inflação entre os principais resultados que atribui à sua política econômica. No último ano completo do governo Bolsonaro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2022 em 5,79%. No ano anterior, 2021, havia alcançado 10,06%.

Em agosto de 2026, o IPCA registrou deflação de 0,32%. O índice acumula alta de 3,11% desde janeiro e de 4,22% em 12 meses, segundo o IBGE. A alimentação no domicílio, um dos componentes mais sensíveis para as famílias de menor renda, caiu 0,61% apenas em agosto.

A diferença também aparece na trajetória dos alimentos. Em 2022, o grupo Alimentação e bebidas subiu 11,64%, praticamente o dobro da inflação geral daquele ano, enquanto a alimentação consumida dentro de casa avançou 13,23%. Em agosto de 2026, Alimentação e bebidas recuou 0,34%, depois de já ter caído 0,67% em julho.

Foi nesse ponto que Lula reconheceu que os números de inflação não significam que o problema do custo de vida esteja resolvido.

“Não resolveu tudo. Precisamos baratear o preço do feijão e do arroz”, afirmou.

O presidente sustentou que a resposta deve combinar aumento da produção de alimentos, expansão do emprego e crescimento dos salários.

“Precisamos aumentar a produção de alimentos mais baratos, aumentar o emprego e os salários para resolver o problema do custo de vida e manter a inflação controlada”, disse.

Desemprego passa de 9,3% em 2022 para 5,3%

O mercado de trabalho foi outro indicador usado por Lula para estabelecer uma diferença em relação ao período anterior.

A taxa média de desemprego em 2022, último ano do governo Bolsonaro, foi de 9,3%, segundo o IBGE. Naquele ano, a média de pessoas desempregadas chegou a 10 milhões. No trimestre encerrado em dezembro de 2022, a taxa havia recuado para 7,9%.

No trimestre encerrado em julho de 2026, a taxa de desemprego caiu para 5,3%. A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica iniciada em 2012. O número de empregados do setor privado com carteira assinada também atingiu recorde, enquanto o rendimento real habitual ficou em R$ 3.762.

Lula incorporou esses números ao argumento de que crescimento econômico e renda precisam avançar simultaneamente.

“Nunca se gerou tanto emprego formal. É preciso continuar aumentando a renda e criando empregos de qualidade”, afirmou.

Salário mínimo volta a ter aumento real

O salário mínimo também ocupou espaço central na comparação apresentada pelo presidente.

Em 2022, o piso nacional era de R$ 1.212. O valor passou para R$ 1.320 em maio de 2023, R$ 1.412 em 2024, R$ 1.518 em 2025 e chegou a R$ 1.621 em janeiro de 2026.

Além da elevação nominal, o governo Lula retomou a política de valorização do salário mínimo acima da inflação. Segundo estudo do Dieese, a política anterior de reajustes com ganho real deixou de ser aplicada a partir de 2020 e os reajustes entre 2020 e 2022 ficaram, no conjunto, próximos da reposição inflacionária. O instituto calcula ganhos reais de 0,8% em 2019, 1,4% em 2020, queda de 3,4% em 2021 e alta de 0,9% em 2022.

Já os reajustes de 2025 e 2026 incorporaram ganho real de 2,5% em cada ano, de acordo com a regra atualmente em vigor.

“É preciso continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação”, afirmou Lula.

O presidente relacionou essa política à ampliação do consumo e à distribuição de renda, defendendo que a melhora dos indicadores macroeconômicos precisa chegar diretamente ao orçamento das famílias.

PIB cresceu nos três primeiros anos completos do atual mandato

Lula também destacou o crescimento da economia. Os dados do IBGE mostram que o Produto Interno Bruto avançou 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. No primeiro semestre de 2026, houve expansão de 1,9% em relação aos seis primeiros meses do ano anterior.

Durante o governo Bolsonaro, o PIB cresceu 1,2% em 2019, caiu 3,3% em 2020, ano marcado pelo impacto da pandemia de Covid-19, avançou 4,8% em 2021 e cresceu 3% em 2022. A comparação direta entre os períodos deve considerar o choque extraordinário provocado pela pandemia sobre a atividade econômica em 2020 e a recuperação registrada posteriormente.

“A economia tem que continuar crescendo”, afirmou Lula.

No segundo trimestre de 2026, o PIB avançou 0,5% em relação aos três meses anteriores. Na comparação com igual trimestre de 2025, a alta foi de 2%. Agropecuária, indústria e serviços apresentaram crescimento nessa comparação anual.

Lula relaciona economia à queda da fome

O presidente também utilizou o combate à fome como parte de seu balanço socioeconômico. Durante a entrevista, afirmou que a combinação de emprego, renda, valorização do mínimo e políticas sociais permitiu ao Brasil deixar novamente o Mapa da Fome.

“Nós acabamos com a fome em dois anos e meio”, declarou Lula.

A afirmação se refere à saída do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), anunciada em 2025. O conceito não significa que a fome tenha sido eliminada integralmente: um país deixa o mapa quando a prevalência de subnutrição fica abaixo de 2,5% da população.

O relatório da FAO divulgado em julho de 2026 confirmou que o Brasil permanece fora do Mapa da Fome. O levantamento, referente ao triênio 2023-2025, manteve a prevalência de subnutrição abaixo do limite de 2,5%.

Outro indicador da FAO mostra redução da insegurança alimentar severa: a proporção foi estimada em 6,6% no triênio 2021-2023, caiu para 3,4% em 2022-2024 e chegou a 0,6% em 2023-2025. Como os períodos são trienais e se sobrepõem, os dados não correspondem exclusivamente a um único governo.

Responsabilidade fiscal entra no balanço de Lula

Lula também aproveitou a discussão econômica para responder às críticas sobre responsabilidade fiscal e afirmou que pretende manter o controle das contas públicas.

“A gente não pode gastar mais do que tem”, disse.

O presidente atribuiu essa orientação à experiência pessoal e recordou os resultados fiscais de seus dois primeiros mandatos para defender sua trajetória na área.

“Tomar conta do dinheiro da nossa casa e do nosso país é nossa responsabilidade. Se deixarmos as contas se desequilibrarem, quem perde é o povo pobre”, afirmou.

Ao sintetizar sua estratégia para um eventual novo mandato, Lula voltou a associar estabilidade de preços, crescimento econômico, emprego e renda.

“Não resolveu tudo. Temos que fazer muito mais”, afirmou. “É preciso que a economia continue crescendo.”

Fonte: Brasil 247

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