Lula defende reforma política e cita “promiscuidade generalizada”

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma reforma política para reorganizar o sistema partidário brasileiro e afirmou que as regras atuais produziram uma “promiscuidade generalizada na política”. Em entrevista ao Canal Livre, da Band, neste domingo (27), Lula relacionou a mudança à redução da polarização e defendeu partidos com programas, bandeiras e compromissos mais definidos com setores da sociedade.

Lula apresentou a reforma política como resposta à atual configuração das legendas e do financiamento eleitoral. Questionado sobre a permanência da divisão política no país desde a eleição de 2022, comparou a disputa entre PT e bolsonarismo à polarização que marcou eleições anteriores entre PT e PSDB.

“Vai mudar quando a gente fizer uma reforma política nesse país, que precisa ser feita para criar partido sério, partido que tenha manifesto, partido que tenha compromisso com a sociedade, partido que tenha bandeira, partido que tenha programa e partido que tenha um comportamento ético, na minha opinião, sem precisar de fundo partidário ou fundo eleitoral”, afirmou.

Na sequência, o presidente acrescentou: “É preciso acabar com essa história que está acontecendo na política, que é uma promiscuidade generalizada. A hora que a gente acabar com isso, se tiver uma reforma política digna, a gente vai ter a política outra vez sadia para o povo brasileiro.”

O presidente reconheceu, porém, que mudanças desse tipo enfrentariam resistência no Congresso porque atingiriam diretamente interesses de parlamentares e partidos. Lula disse que uma eventual reforma exigiria uma nova rodada de negociações políticas e afirmou que não espera facilidade para aprová-la.

“Quando se trata da reforma política, você está mexendo com o interesse pessoal de cada deputado, de cada partido político. Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União. Não é possível”, declarou. A referência a “50% do orçamento” foi apresentada por Lula durante a entrevista como crítica à influência parlamentar sobre recursos públicos, e não como dado independente apresentado pelo programa.

Ao falar sobre sua capacidade de negociar com o Legislativo, Lula citou a aprovação da reforma tributária e a PEC da Transição como exemplos de acordos construídos durante seu atual mandato. Segundo ele, essas votações dependeram de conversas de ministros, líderes do governo e integrantes do Congresso.

O presidente disse que pretende insistir na reforma caso seja reeleito. “Ora, eu vou conseguir fazer com facilidade? Não. Mas se eu não fizer, ninguém faz. Esse é o dado concreto. Se eu não fizer, ninguém faz. Então, eu estou disposto a estabelecer uma nova conversação.”

Lula também afirmou que a reorganização partidária seria necessária para reduzir a polarização. Na avaliação dele, as legendas deveriam representar setores identificáveis da sociedade e deixar mais claros seus programas e compromissos.

“A gente vai acabar com a polarização quando os partidos estiverem reorganizados e os partidos representarem, de fato, os lados da sociedade. Ou seja, os partidos têm que representar um segmento da sociedade. Eles têm que representar uma parte do povo. É assim que se cria partido político”, disse.

Durante a entrevista, Lula apontou o PT como exceção entre as atuais legendas. “O que representa a maioria dos partidos? Quantos partidos você tem de caráter nacional que tem programa, que tem manifesto, que tem bandeira? Só o PT”, afirmou. A declaração expressa a avaliação política do presidente sobre o sistema partidário.

O petista também disse ter mudado de posição sobre o financiamento público das campanhas. Segundo Lula, embora tenha defendido no passado tanto o fundo partidário quanto o fundo eleitoral, hoje considera que os dois mecanismos deveriam ser revistos.

“Eu que fui defensor do fundo partidário, eu que fui defensor do fundo eleitoral, hoje eu sou contra. Eu sou contra porque isso apodreceu a política. Mas o orçamento secreto, aí que apodreceu de vez a política”, afirmou. A defesa do fim do atual modelo de financiamento eleitoral também foi destacada na cobertura da entrevista.

Lula argumentou ainda que o sistema atual dificulta a entrada de novos atores na política e favorece organizações partidárias orientadas, segundo sua avaliação, pela quantidade de deputados e pelo acesso aos fundos públicos. Ele também criticou a influência de interesses empresariais sobre agências reguladoras.

Ao fim desse trecho da entrevista, o presidente ampliou a crítica para a divisão institucional de poderes. Disse defender um sistema no qual “o presidente governa, o legislativo legisla e o judiciário julga” e mencionou também a possibilidade de uma reforma no Judiciário, sem detalhar propostas sobre o tema.

Fonte: Brasil 247

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