Lula critica negócios de Eduardo e Flávio Bolsonaro com Vorcaro: “é uma quadrilha, não uma família”

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Por Laís GouveiaBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (16) as relações financeiras atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) com o empresário Daniel Vorcaro. Durante entrevista ao vivo ao canal no YouTube Desce a Letra Show, Lula cobrou explicações sobre recursos que, segundo ele, teriam sido destinados à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que os irmãos agem contra os interesses do país.

Ao abordar o projeto Dark Horse, Lula questionou o destino de R$ 130 milhões que, segundo sua declaração, teriam sido repassados por Vorcaro para financiar a produção cinematográfica sobre Bolsonaro.

“Eu que fui preso por essa Suprema Corte e fiquei preso 580 dias… O que eles têm que explicar é cadê os R$ 130 milhões que ele [Flávio Bolsonaro] pegou do Vorcaro para o filme do seu pai (Dark Horse), aquele filme mequetrefe. Eu quero saber. O Flávio pegou dinheiro, R$ 130 milhões. Não foi R$ 13. Não foi R$ 130 mil. Não foi R$ 1,3 milhão. Foram R$ 130 milhões. Para fazer um filme. E não explica onde está esse dinheiro”, declarou o presidente.

Na sequência, Lula afirmou que os recursos estariam vinculados a uma estrutura financeira internacional e relacionou a operação à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

“Era um fundo que saía de não sei da onde para ir para os Estados Unidos, para sustentar o irmão dele que está lá tramando golpe contra o Brasil. E se ele voltar ao Brasil vai ser preso, porque traidor da pátria tem que ser preso. Ele está vendendo o Brasil aos interesses americanos. Isso é da nossa responsabilidade, nós temos que falar o que eles são. É quase uma quadrilha, não uma família. E cabe ao PT colocar isso na ponta da língua para todo mundo dizer. O povo brasileiro não pode — em benefício do próprio povo brasileiro — escolher alguém desqualificado para presidir esse país”, afirmou.

Lula relaciona ataques a Moraes às investigações

Na mesma entrevista, Lula rebateu as críticas feitas por Flávio Bolsonaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e rejeitou a tentativa de responsabilizar seu governo pela atuação do magistrado.

“Você veja como é a mentira. Nós estamos vendo aquele julgamento na Suprema Corte. Ontem o meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes e isso e aquilo. A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master. Não é por isso que ele tem raiva, porque ele sabe que ele tem o rabo preso ao Banco Master mais do qualquer outra pessoa”, apontou Lula.

O presidente também relacionou os ataques ao ministro à atuação de Moraes em investigações envolvendo aliados e integrantes do grupo político de Bolsonaro.

“A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que mandou matar a Marielle. A bronca dele é porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Esse é o pavor dele. E a bronca dele é porque essa apuração que está tendo na Suprema Corte vai descobrir quem é de verdade que está metido nisso”, reforçou.

Presidente rebate acusações sobre fraudes no INSS

Lula também contestou acusações da oposição que procuram associar seu governo às fraudes envolvendo descontos irregulares de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O presidente afirmou que o esquema teve origem no governo Bolsonaro e que as investigações avançaram durante sua atual gestão.

“Por exemplo, eles criaram a quadrilha do INSS. Eles criaram a quadrilha no governo Bolsonaro. Nós, em dois anos, descobrimos a quadrilha, já prendemos quase todos eles, já tomamos bens de quase R$ 6 bilhões, já pagamos quase 5 milhões de aposentados, investindo R$ 3,5 bilhões para pagar o roubo que eles fizeram na Previdência Social. E eles tentam passar a ideia de que é nosso. Eles montaram a quadrilha, nós prendemos”, afirmou.

O presidente também reagiu a alegações envolvendo familiares seus e investigados no caso.

“‘Ah, o filho do Lula é sócio do Careca [do INSS]’. E quem tem um escritório junto com o Careca é ele, o Flávio. Então nós temos que desmontar essa coisa”, criticou.

Lula fala sobre indicações ao STF e defende julgamento justo

Ao tratar da composição do Supremo, Lula lembrou que não ocupava a Presidência da República quando Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça foram indicados à Corte. Ele também ressaltou o papel constitucional do Senado na aprovação dos nomes escolhidos para o tribunal.

“Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele [Flávio Bolsonaro] era senador. Ele deve ter votado no Alexandre de Moraes. Eu não era presidente quando eles indicaram o Kassio [Nunes Marques]. Ele deve ter votado. Eu não era presidente quando eles indicaram o André Mendonça. Portanto, ele é o culpado, não eu. E eu quero dizer em alto e bom som: todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo, com direito de defesa. Mas se a pessoa cometeu um delito a pessoa tem que pagar o preço. Isso vale para mim, vale para o Alexandre de Moraes, vale para o Fachin… Essa é minha tese”, ressaltou.

Ao final da entrevista, Lula elogiou a atuação de Alexandre de Moraes à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022 e defendeu a segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro.

“Acho que o Alexandre de Moraes prestou dois grandes serviços à democracia brasileira. Ele foi presidente do TSE na eleição em que eu ganhei. Ele sabe e o Brasil sabe a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras, que é o processo eleitoral mais moderno e mais rápido. Um país com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, com 160 milhões de eleitores, e você sabe o resultado duas horas depois de acabar a eleição. Se fosse possível roubar na urna, eu não teria sido presidente. Você acha que eu ia ganhar do Serra? Do Alckmin? Jamais. A urna é uma coisa muito séria e ela não está subordinada à internet. Por isso não há manipulação”, finalizou o presidente.

Fonte: Brasil 247

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