Lula avalia não ir a debate da Globo e prefere confronto direto com Flávio em eventual 2º turno
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia não participar do debate presidencial da TV Globo marcado para quinta-feira (1º), o último antes do primeiro turno. A tendência entre seus aliados é preservar o presidente de um formato no qual ele poderia concentrar ataques dos demais candidatos e deixar um eventual confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o segundo turno.
As informações são da Folha de S.Paulo, que relata que Lula chegou a considerar a participação, mas integrantes de sua campanha avaliam que a ausência representa um risco menor do que enfrentar sucessivas críticas com tempo limitado para respostas. A agenda presidencial para quinta-feira ainda está aberta.
A avaliação dentro do PT é que, por ocupar a primeira colocação nas pesquisas de intenção de voto, Lula tenderia a se transformar no principal alvo dos adversários. A lógica das campanhas é que candidatos com menor desempenho tentem desgastar quem aparece à frente para conquistar parte de seu eleitorado.
Segundo a reportagem, a Globo já comunicou que pretende manter uma cadeira vazia em horário nobre para representar a ausência de qualquer candidato que não compareça. Mesmo assim, aliados de Lula consideram que o impacto dessa imagem seria inferior ao risco de o presidente passar grande parte do programa sob ataques dos concorrentes.
Pesquisas entram no cálculo da campanha
O cenário eleitoral também pesa na decisão. Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (28) mostra Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Levantamentos anteriores também vinham mostrando Lula e Flávio concentrando a disputa. Na Quaest divulgada em 21 de setembro, o presidente aparecia com 37%, enquanto o senador registrava 33%.
Nesse contexto, aliados argumentam que Lula teria mais a perder do que a ganhar em um debate com vários adversários. A campanha também leva em conta a experiência de 2022, quando integrantes do entorno do presidente avaliaram negativamente seu desempenho no debate da Band antes do primeiro turno.
Caso Lula não participe, aliados acreditam que Flávio Bolsonaro poderá passar a concentrar os ataques dos demais candidatos, justamente por ocupar a segunda posição nas pesquisas e disputar diretamente uma vaga no segundo turno.
Edinho diz que Lula prefere duelo direto
O presidente do PT, Edinho Silva, indicou nesta segunda-feira que Lula tende a não comparecer ao debate caso seja mantido o modelo envolvendo todos os candidatos.
Em entrevista ao canal TMC, Edinho afirmou que o presidente pretende confrontar Flávio Bolsonaro, mas considera mais adequado um formato em que os dois possam discutir diretamente suas propostas e posições.
“Ele fazer uma pergunta e ficar vinte minutos, meia hora, esperando todo mundo falar para depois ele fazer outra pergunta… Se for esse modelo é evidente que o presidente Lula não irá ao debate e vai ficar aguardando o segundo turno. Porque no segundo turno serão só os dois [Lula e Flávio]”, declarou.
A fala explicita a estratégia discutida entre dirigentes petistas: evitar uma exposição em um debate pulverizado entre vários candidatos e priorizar um eventual confronto direto caso Lula e Flávio avancem para a etapa seguinte da eleição.
Flávio diz que irá ao debate
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirmou no domingo (27) que pretende comparecer ao encontro promovido pela Globo e manifestou o desejo de enfrentar Lula.
“Meu único adversário nessa campanha é o Lula. É com ele que eu quero debater na Globo. Eu vou para esse debate só para desmascarar esse mentiroso, esse assassino da esperança do Brasil”, declarou o candidato do PL.
O senador vem tentando concentrar a reta final de sua campanha na polarização direta com o presidente. Lula, por outro lado, tem reforçado temas como soberania, democracia, proteção do Pix e combate às plataformas de apostas em suas agendas e discursos recentes.
A definição sobre a participação do presidente deverá considerar o equilíbrio entre a exposição proporcionada pelo último grande debate televisivo antes da votação e o risco de transformar Lula no alvo central dos demais concorrentes.
Fonte: Brasil 247