Lula assume protagonismo mundial na abertura da Assembleia Geral da ONU

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Por José ReinaldoBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume protagonismo na abertura do debate da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), em Nova York, ao apresentar a posição brasileira sobre multilateralismo, soberania, conflitos internacionais e reforma do Conselho de Segurança. Será a 11ª participação de Lula no encontro como presidente da República.

A intervenção brasileira abrirá a sequência de discursos dos chefes de Estado, antes da fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com o Itamaraty, Lula também defenderá a negociação como instrumento para resolver disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países.

A sessão anual da Assembleia Geral já foi formalmente instalada, mas o debate de alto nível — etapa que reúne presidentes, primeiros-ministros e representantes dos 193 países-membros — será realizado entre 22 e 28 de setembro. O tema definido pela ONU para 2026 é “Restaurar a confiança, administrar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que produza resultados para todos”, conforme a programação oficial.

A posição reservada ao Brasil no início dos discursos resulta de uma tradição consolidada desde os primeiros anos das Nações Unidas. Embora não esteja formalizada em uma regra escrita, a precedência brasileira tornou-se uma das marcas da Assembleia Geral e amplia a repercussão internacional da mensagem levada pelo país.

Neste ano, a tradição ganha peso político adicional. Lula chega ao encontro em meio à multiplicação de conflitos armados, ao enfraquecimento das instituições multilaterais e ao avanço de medidas unilaterais tomadas por grandes potências. A expectativa é que o presidente apresente o Brasil como uma voz em defesa da diplomacia e da construção de soluções negociadas.

Reforma da ONU

Os eixos da intervenção brasileira na ONU serão a defesa do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança. O Brasil sustenta que a estrutura do órgão, definida no período posterior à Segunda Guerra Mundial, já não representa a distribuição contemporânea de poder nem contempla adequadamente a presença da América Latina, da África e de outras regiões em desenvolvimento.

O Conselho é formado por 15 países, mas apenas Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido ocupam assentos permanentes e têm poder de veto. Na avaliação brasileira, esse modelo reduz a legitimidade das decisões e frequentemente paralisa a atuação das Nações Unidas diante de guerras e crises humanitárias.

A defesa da reforma também será discutida no âmbito do G4, grupo composto por Brasil, Alemanha, Índia e Japão. Os quatro países reivindicam assentos permanentes em uma eventual ampliação do Conselho e coordenam posições durante as reuniões anuais em Nova York.

Soberania e conflitos internacionais

A defesa da soberania deve ocupar posição central no pronunciamento de Lula. A expectativa é que o presidente rejeite intervenções externas e medidas coercitivas unilaterais, além de reafirmar que diferenças políticas e comerciais precisam ser administradas por meio do diálogo e das instituições internacionais.

O discurso ocorrerá imediatamente antes da intervenção de Trump. Não há reunião formal confirmada entre os dois presidentes, embora a proximidade na programação permita um contato breve nos bastidores do plenário.

Lula também deverá abordar o aumento das guerras e a incapacidade do Conselho de Segurança de produzir respostas efetivas. O governo brasileiro tem defendido cessar-fogo, proteção à população civil, acesso à ajuda humanitária e negociações diplomáticas como princípios aplicáveis aos diferentes conflitos.

A delegação do Brasil participará ainda de reuniões sobre a situação na Palestina e a solução de dois Estados, o direito internacional humanitário, a consolidação da paz e a redução das desigualdades. A agenda reforça a tentativa de vincular segurança internacional, desenvolvimento econômico e combate à pobreza.

Combate à fome

Uma das principais iniciativas brasileiras durante a semana será a reunião ministerial da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, marcada para quarta-feira (23). Criado durante a presidência brasileira do G20, o mecanismo busca mobilizar governos, organismos internacionais e instituições financeiras para financiar políticas públicas de segurança alimentar, proteção social e geração de renda.

O encontro será presidido por Mauro Vieira e contará com a participação do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. A presença da aliança na programação da ONU permite ao Brasil projetar uma política lançada nacionalmente para o centro da agenda internacional.

Vieira também comandará, na quinta-feira (24), a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. O Brasil ocupa a presidência do mecanismo, que reúne países sul-americanos e africanos banhados pelo Atlântico Sul e procura preservar a região como espaço de cooperação e afastado de disputas militares entre grandes potências.

Agenda em Nova York

Antes do discurso, Lula terá um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que se encontra na etapa final de seu mandato. A conversa deverá tratar dos conflitos internacionais, da reforma das Nações Unidas e das iniciativas brasileiras de combate à fome.

A agenda presidencial também inclui reuniões com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi; o senador norte-americano Bernie Sanders; e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Os compromissos ampliam a interlocução de Lula com lideranças progressistas das Américas.

A presença brasileira se estenderá a áreas como proteção social, gestão pública, igualdade racial e direitos dos povos indígenas. A comitiva inclui os ministros Mauro Vieira, Wellington Dias, Esther Dweck, Luiz Eloy Terena e Rachel Barros.

Lula deverá retornar ao Brasil ainda na terça-feira, depois do pronunciamento. Mesmo com uma permanência curta em Nova York, o lugar de primeiro chefe de Estado no púlpito e a articulação de iniciativas internacionais colocam o presidente brasileiro no centro da abertura do principal fórum diplomático mundial.

Fonte: Brasil 247

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