Lula ainda não decidiu se vai a debate na ‘Globo’; campanha avalia impacto sobre indecisos
Por Vinícius Nunes — Carta Capital
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‘Desafio’ de Flávio Bolsonaro e possibilidade de mudar voto de eleitores pesam na discussão; pesquisas apontam vantagem do petista no primeiro turno.
A participação do presidente Lula (PT) no debate presidencial da TV Globo , marcado para quinta-feira 1º, segue indefinida. Embora o petista tenha demonstrado disposição para comparecer, a decisão ainda depende da estratégia da campanha.
A discussão envolve o potencial de conquistar eleitores indecisos e o formato do encontro, que terá um número menor de candidatos do que outros debates da eleição.
O “desafio” lançado por Flávio Bolsonaro (PL), que confirmou presença e afirmou que pretende enfrentar Lula diretamente, também entrou no cálculo. O senador declarou que irá ao debate mesmo sem a confirmação do presidente e o “convocou” publicamente para o confronto.
A ausência do petista poderia deixar o adversário como principal protagonista do último encontro televisivo antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. “ Eu não tenho adversários concorrendo comigo na Presidência, a não ser o Lula. É ele que eu vou tirar da Presidência, é ele que o povo não quer mais”, disse Flávio no domingo 27.
A pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira 28 é outro elemento da discussão. O levantamento mostra Lula com 42% das intenções de voto, ante 37% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de cinco pontos percentuais para o presidente.
Em um eventual segundo turno, porém, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 46% para Lula e 44% para o senador. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Já a pesquisa Quaest, também divulgada nesta segunda, mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro tem 34%. No segundo turno, os dois estão empatados com 42%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O contingente de eleitores que ainda pode mudar de voto também está no radar da campanha petista. Segundo a Nexus/BTG, 12% dos entrevistados afirmam que ainda podem alterar sua escolha no primeiro turno. Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados previamente, 9% não souberam ou não responderam.
Na Quaest, são 5% os indecisos na pesquisa estimulada e 31% na espontânea. A avaliação é de que o debate pode oferecer uma oportunidade de alcançar parte desse eleitorado na reta final da campanha .
Outro fator considerado é a composição do encontro. Com quatro candidatos previstos, Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), o debate terá menos participantes do que outros eventos da campanha. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) ficaram de fora.
Dessa forma, Lula, o único candidato da esquerda, pode ficar menos exposto aos ataques dos adversários e deixar a disputa pelo voto da direita concentrada nos outros três oponentes.
Apesar desses elementos, a campanha ainda não fechou uma posição. Lula deve ouvir aliados e integrantes da coordenação até quarta-feira 30, véspera do debate. O encontro da Globo pode ser a única oportunidade de confronto direto entre o presidente e Flávio Bolsonaro na televisão antes da votação do primeiro turno.
No entanto, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse nesta manhã, em entrevista à Rádio TMC, que a tendência é que Lula não vá ao debate. “Se for esse modelo, o presidente Lula não irá e ficará esperando o segundo turno” , afirmou.
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Fonte: Carta Capital