Lula acompanha estratégia de ações contra contra crime organizado no Rio de Janeiro

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanhou nesta sexta-feira (18), no Complexo da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Rio de Janeiro, a apresentação de uma estratégia integrada de enfrentamento ao crime organizado que reúne ações da União, do governo estadual e da prefeitura. O modelo combina inteligência, investigação, tecnologia e atuação operacional para atingir rotas logísticas, territórios e estruturas econômicas utilizadas por organizações criminosas.

A estratégia busca reduzir o controle territorial, a mobilidade, a capacidade logística e o poder econômico das organizações criminosas, além de ampliar a presença do poder público e fortalecer estruturas locais de segurança. As iniciativas estão vinculadas ao Programa Brasil Contra o Crime Organizado.

Instituído pelo governo federal em maio de 2026, o programa tem como finalidade promover articulação institucional, reforço operacional e de inteligência e o uso de instrumentos de investigação, cooperação e desarticulação das organizações criminosas. Entre seus princípios está a atuação integrada dos órgãos de segurança da União, dos estados e dos municípios.

Estratégia atua em três frentes

A ofensiva apresentada no Rio está organizada em três eixos complementares. O primeiro é a Proteção Integrada dos Corredores Logísticos, desenvolvida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com o governo estadual. O segundo é a Política Estadual de Reocupação Territorial. O terceiro busca ampliar a capacidade municipal de segurança, por meio da cooperação entre o ministério e a Prefeitura do Rio.

A lógica da estratégia é atuar simultaneamente sobre diferentes estruturas utilizadas pelas organizações criminosas. Isso envolve desde a circulação pelas rodovias e grandes vias urbanas até o domínio territorial e os mercados explorados por esses grupos.

Cerco às rotas interestaduais

Uma das principais frentes prevê aumentar a pressão nas divisas do Rio de Janeiro com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. A atuação deverá ocorrer por meio de operações integradas nos corredores interestaduais e alcançar algumas das principais artérias da Região Metropolitana.

Entre as vias destacadas estão Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, além dos acessos ao Porto do Rio e ao Aeroporto Internacional.

A proteção desses corredores deverá combinar inteligência, investigação, tecnologia e atuação operacional para dificultar a circulação, o abastecimento e a sustentação das organizações criminosas. A medida também busca combater o roubo de cargas e outros crimes relacionados à exploração das principais rotas logísticas do estado.

Retomada de territórios

No campo territorial, a cooperação entre os governos prevê apoio à retomada e à estabilização de áreas consideradas prioritárias pelo governo estadual.

As ações envolvem inteligência territorial, apoio tático-operacional, inteligência financeira e patrimonial e atuação sobre mercados explorados pelo crime. De acordo com o governo, o objetivo é reduzir o controle territorial, armado e econômico exercido pelas organizações criminosas e fortalecer a presença estatal nessas regiões.

A cooperação entre o Ministério da Justiça e o governo fluminense foi formalizada por dois Acordos de Cooperação Técnica (ACTs). O ACT nº 5/2026/MJSP/GOV-RJ trata da proteção integrada dos corredores logísticos estratégicos. Já o ACT nº 7/2026/MJSP/GOV-RJ é destinado ao fortalecimento da implementação da Política Estadual de Reocupação Territorial.

Os acordos foram assinados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, em 4 de setembro de 2026, e pelo governador do estado em exercício, em 9 de setembro. A vigência prevista é de 60 meses a partir da assinatura, com eficácia condicionada à publicação dos extratos nos diários oficiais da União e do estado.

Operações somam 3.363 prisões

O governo federal também apresentou um balanço das operações integradas realizadas no Rio. Entre janeiro e setembro de 2026, foram registradas 16 operações coordenadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) relacionadas ao estado.

Segundo os dados oficiais, as ações resultaram em 3.363 pessoas presas. Também foram apreendidas 56 armas, 1.198,39 quilos de drogas, 6.005 unidades de drogas sintéticas, 5 mil gramas de MDMA e 1.168 bens.

Além das prisões e apreensões, a estratégia procura atingir o financiamento das organizações criminosas. O governo sustenta que a recuperação de bens e o bloqueio de ativos aumentam a pressão sobre as estruturas econômicas responsáveis por financiar suas atividades.

Força Municipal chega a cerca de 900 agentes

Na esfera municipal, a cooperação está formalizada por meio do Convênio de Receita nº 01/2025, firmado entre a Senasp, a PRF e a Prefeitura do Rio. O acordo tem vigência de 36 meses a partir da assinatura, realizada em agosto de 2025, e execução prevista até agosto de 2028.

Nesse contexto, estão sendo formados 300 agentes para a Força Municipal. De acordo com o release, somados às turmas anteriores, eles elevarão o contingente para aproximadamente 900 agentes.

Operação nas divisas aborda quase 8 mil pessoas

Outro braço da estratégia é a Operação Extraordinária Protetor das Divisas, que reuniu forças estaduais do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, além da Polícia Rodoviária Federal.

Entre 1º e 11 de setembro, a operação abordou 7.995 pessoas e 5.746 veículos. Também foram realizados 281 bloqueios, barreiras ou blitz e 36 fiscalizações. Os dados foram consolidados em 13 de setembro.

Somente a PRF contabilizou 2.253 pessoas e 1.280 veículos abordados, além de 117 bloqueios, barreiras ou blitz.

Fonte: Brasil 247

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