Lua Blanco: veja os sinais silenciosos do câncer de intestino

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A Gazeta

Lua Blanco estava tratando um câncer de intestino

Lua Blanco estava tratando um câncer de intestino
Reprodução @lua_blanco
Neste domingo (18), morreu a atriz Lua Blanco, aos 39 anos, devido a um câncer colorretal. Conhecido por seu papel como Roberta, na novela Rebelde, a família publicou uma nota de despedida nas redes sociais:
“Queridos amigos e seguidores. É com muita tristeza que informamos o falecimento da nossa amada irmã Lua Maria Blanco. Ela vinha lutando contra um câncer nos últimos meses de vida, e nesse tempo ela foi completamente rodeada pelo amor da família e dos amigos que estiveram com ela a vida toda”. 
A atriz descobriu um câncer de intestino em estágio avançado e tratou a doença em sigilo por cerca de dois meses. Amigos disseram que ela soube do diagnóstico há cerca de três meses, quando o tumor já estava avançado, e escolheu dividir informações de saúde com um grupo restrito.
Ela fez o tratamento no Instituto Nacional de Câncer (Inca), com quimioterapia e cirurgia. Após o procedimento, ela precisou usar uma bolsa de colostomia, e o quadro clínico piorou de forma significativa na última semana antes da morte.

Doença silenciosa

O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, ainda enfrenta dificuldades para o diagnóstico precoce devido à baixa percepção dos sinais iniciais da doença. A doença está entre as principais causas de morte no país, o que reforça a importância da detecção precoce como fator decisivo para ampliar as chances de cura.
Os primeiros sintomas do câncer de intestino muitas vezes não são percebidos e podem ser confundidos com condições benignas, como hemorroidas ou problemas intestinais comuns. Entre os sinais de alerta mais frequentes estão sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e/ou prisão de ventre), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, fezes mais finas e presença de massa abdominal.
Embora esses sintomas nem sempre indiquem câncer, especialistas reforçam a importância de investigar casos persistentes, garantindo diagnóstico correto e tratamento adequado. “A detecção precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura. Isso pode ser feito a partir da avaliação clínica e da realização de exames laboratoriais e de imagem”, explica o coloproctologista Henrique Perobelli Schleinstein, da  da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. 
A Organização Mundial da Saúde recomenda o rastreamento de pessoas assintomáticas por meio do exame de sangue oculto nas fezes. Em caso de resultado positivo, a colonoscopia é indicada para detectar lesões ou pólipos. 
Os fatores associados ao câncer de intestino incluem idade acima de 50 anos, sedentarismo, excesso de peso e alimentação inadequada, com baixo consumo de fibras e alta ingestão de carnes processadas e carne vermelha. Também estão relacionados histórico familiar da doença, tabagismo, consumo de álcool e doenças inflamatórias intestinais. Em alguns casos, fatores ocupacionais, como exposição ao amianto, às radiações ionizantes e o trabalho noturno, que pode afetar o ritmo biológico, também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
“Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, tais como constipação, diarréia, afilamento das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação (como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado), massas palpáveis no abdome, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, explica Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas. 
Entre os fatores de risco destacam-se: consumo de dietas ricas em alimentos ultraprocessados e pobres em vegetais, alto consumo de carnes vermelhas, sobrepeso e obesidade, inatividade física, tabagismo e a presença de doenças inflamatórias intestinais como a retocolite ulcerativa. Fatores hereditários também são importantes, mas o especialista ressalta que eles exercem menor influência no surgimento do tumor colorretal do que as causas listadas.
Em boa parte dos casos, felizmente o câncer colorretal é curável. No entanto, é essencial que o diagnóstico aconteça precocemente, aumentando assim o sucesso do tratamento.
Por isso, é importante o rastreamento precoce, quando adequadamente indicado, para que o tumor seja identificado em sua fase inicial. “Diferentemente do câncer de mama, por exemplo, onde a doença é identificada com os exames de rotina geralmente em fase inicial, já instalado, o tumor colorretal pode ser descoberto em sua fase pré-cancerosa com a colonoscopia.
Uma vez diagnosticado, a equipe multidisciplinar irá avaliar cada caso individualmente, selecionando as estratégias e opções mais adequadas a cada paciente”, comenta o oncologista.
Os tratamentos para a neoplasia colorretal podem ser agrupados em dois tipos:
 – Tratamentos locais (cirurgia, radioterapia, embolização e ablação): agem diretamente no tumor, sem afetar o restante do corpo. Podem ser realizados nos estágios iniciais da doença ou ainda em metástases isoladas
 – Tratamentos sistêmicos (quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo): neste grupo, incluímos as drogas orais (comprimidos) ou endovenosas (na veia), aplicando diretamente na corrente sanguínea. Agem de maneira global no organismo e podem ser indicadas tanto com o objetivo curativo quanto paliativo. 

Exame de rastreamento

A colonoscopia, exame que permite visualizar diretamente o interior do intestino grosso e do reto, é considerada o padrão-ouro para detecção precoce do câncer colorretal. O procedimento não apenas identifica tumores em fase inicial, como também permite a remoção de pólipos (lesões benignas que podem se transformar em câncer ao longo dos anos) durante o próprio exame.
A recomendação médica é que pessoas a partir dos 45-50 anos realizem colonoscopia de rastreamento — ou antes, em casos de histórico familiar da doença. Testes de sangue oculto nas fezes também são ferramentas importantes e menos invasivas para rastreamento inicial.
O problema é que a cobertura populacional de rastreamento no Brasil é baixíssima. Há grande demora na realização de exames, falta de centros especializados — especialmente fora dos grandes centros urbanos — e desconhecimento da população sobre a importância da prevenção.
“Após os 50 anos de idade, a chance de apresentar pólipos aumenta, o que consequentemente representa um aumento no risco de tumores malignos. Como resultado, mais de 80% dos casos de câncer colorretal acontecem a partir dos 50 anos, o que explica este limite de idade como critério para início do rastreio ativo”, explica ooncologista  Alexandre Jácome .
O oncologista destaca que pessoas com histórico pessoal de pólipos ou de doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, bem como registros familiares de câncer colorretal em um ou mais parentes de primeiro grau — principalmente se diagnosticado antes de 45 anos — devem ter atenção redobrada e realizar controles periódicos antes da idade base indicada para a população em geral.

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Fonte: A Gazeta

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