Livro conta a ‘Malemolência’ de Céu em seu 1º álbum
Por Augusto Diniz — Carta Capital
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Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
A artista ofereceu um frescor contemporâneo sem romper com a tradição
A música Malemolência (Céu e Alec Haiat), lançada por Céu em seu primeiro álbum (de 2005), começa com o toque do cavaquinho e com a voz da cantora, desenvolvendo-se com percussão ao fundo e leve inserção de scratches, criação rítmica da cultura hip hop.
Com seu timbre inconfundível, Céu canta: Vem pra roda da malemolência / Menino bonito, menino bonito, ai!
No outro sucesso do disco, Lenda (Céu, Alec Haiat e Graziella Moreto), a mesma a fórmula de tradição — preste atenção ao violão — e contemporaneidade.
É na regravação da clássica O Ronco da Cuíca (João Bosco e Aldir Blanc), porém, que tudo fica claro: estão ali as referências musicais da cantora e a sua bem-sucedida proposta de experimentar um novo diálogo entre a vanguarda e a modernidade em ascensão naquele momento.
O livro Céu: Céu (editora Cobogó; 160 pág.), da jornalista especializada em música Fabiane Pinheiro, detalha o trabalho da cantora e compositora em seu primeiro disco — lançado não para romper com as raízes da música brasileira, mas para oferecer um frescor contemporâneo.
A autora do livro defende que a música brasileira sempre foi profundamente antropofágica, misturando raízes com a contemporaneidade.
Céu é filha de Edgar Poças, compositor, maestro e professor. Tem lastro musical e foi capaz de aproveitar esse ativo em seu trabalho.
O primeiro disco de Céu deu à musica brasileira uma pulsação diferente e, não por acaso, ganhou reconhecimento nos Estados Unidos e na Europa por sua originalidade.
O momento para o lançamento do álbum também foi propício, avalia Fabiane, com o surgimento de pequenos selos e casas de shows alternativas e com o início das comunidades na internet — tudo isso em meio a uma indústria fonográfica decadente. A música eletrônica vivia em ascensão e Céu capturou esse movimento.
Fabiane constrói o texto somente a partir de entrevistas com Céu, que expõe intimidades sobre o trabalho. É um livro sobre a criação de um grande álbum, não de contrapontos. Uma boa leitura para entender que a cantora baseia seu projeto musical em ideias e soluções originais.
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Fonte: Carta Capital