Liriel Farias leva a experiência de Realengo à luta climática e defende periferias como espaços de soluções
Por NINJA — Mídia NINJA
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Juventudes periféricas ampliam a luta por justiça climática e enfrentam desigualdades ambientais
Por Kaio Phelipe
A crise climática não atinge todas as pessoas da mesma forma. Nas periferias, os efeitos das mudanças no clima se somam à falta de infraestrutura e ao acesso desigual a direitos.
Foi vivendo essa realidade em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que Liriel Farias começou a perceber a relação entre clima e território. Hoje, ela leva essa experiência para outros espaços por meio da organização socioambiental e antirracista Ayé – Educação e Justiça Climática, que fundou para atuar com juventudes periféricas.
“Minha trajetória não se iniciou quando comecei a participar de conferências. Começou nas ruas de Realengo, bairro onde nasci e cresci, experienciando a crise climática”, conta Liriel.
Antes das universidades e dos espaços de decisão, foi no subúrbio carioca que ela aprendeu a observar como as desigualdades aparecem no cotidiano.
Foi dessa experiência que surgiu a Ayé, com a proposta de mudar a forma como favelas e periferias são inseridas no debate climático. Liriel aponta que esses territórios costumam ser apresentados a partir da vulnerabilidade, enquanto os conhecimentos produzidos por quem vive neles recebem pouca atenção. Sua organização atua com educação popular, cultura e participação política para aproximar jovens das discussões sobre o clima e ampliar sua presença nos espaços de decisão.
“A periferia não pode estar à margem dos debates sobre a crise climática. Se a periferia e o periférico são os que mais sofrem seus impactos, precisamos estar incluídos na busca por soluções”, afirma.
A Ayé – Educação e Justiça Climática desenvolve ações com escolas, universidades, lideranças comunitárias e, quando preciso, ocupa praças públicas. Um dos trabalhos é realizado em parceria com o Escambo Cultural, ponto de cultura localizado em Jardim Sulacap, também na Zona Oeste, e um dos principais parceiros da organização, que há anos atua junto às juventudes do subúrbio do Rio.
“Não existe adaptação climática sem comunidade organizada, e o Escambo é referência nisso”, diz Liriel. Para ela, antes de qualquer política de adaptação, é preciso considerar quem conhece o território e os problemas enfrentados por seus moradores.
Essa atuação também levou Liriel a ocupar espaços nacionais e internacionais de discussão sobre o clima. “Ocupar esses espaços nunca foi uma questão de prestígio. Para mim, funciona como uma estratégia política. Nós não queremos apenas um lugar na mesa, queremos ajudar a construir a mesa.”
Essa disputa, a seu ver, passa também pelo racismo ambiental. Para a jovem ativista, não é possível discutir mudanças climáticas sem considerar raça, renda e território. As populações que menos contribuíram para o agravamento da crise estão entre as que mais convivem com seus efeitos.
Parte das respostas já é construída nas periferias, embora nem sempre seja reconhecida como conhecimento ou inovação. “Durante muito tempo disseram que inovação acontecia longe das periferias”, afirma. O que ela reivindica é que essas experiências sejam consideradas e recebam investimento. O futuro sustentável, diz Liriel, se inicia quando seus moradores participam da construção das próprias soluções.
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Fonte: Mídia NINJA