Líderes da União Europeia reafirmam apoio a Zelensky em meio a novas críticas de Trump

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Por Guilherme Levorato — Brasil 247

247 – Os líderes da União Europeia se uniram em apoio ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em uma cúpula realizada nesta sexta-feira (16), enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançava mais críticas à Ucrânia, classificando os ataques do país às refinarias russas como uma “vergonha”, segundo reportagem da Reuters.

A União Europeia está recebendo Zelensky em Bruxelas em um dos momentos mais difíceis para a Ucrânia, marcado por mísseis e drones chovendo sobre cidades ucranianas e pelo crescente temor de que os Estados Unidos possam suspender o compartilhamento de informações de inteligência e o apoio com armas a Kiev.

Trump pegou Zelensky de surpresa no último fim de semana ao anunciar que a Ucrânia e a Rússia haviam concordado em não atacar as instalações energéticas uma da outra. Diante das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos em novembro, Trump culpou os ataques ucranianos às refinarias russas por elevar os preços da energia, o que poderia custar-lhe votos nas urnas. Para além das críticas, os Estados Unidos também fecharam um acordo de diesel com a Rússia, fato que irritou a Ucrânia e os aliados europeus.

Ao chegar à cúpula e abraçar diversos líderes no encontro, Zelensky destacou a urgência das preparações para os meses mais frios do ano. “Queremos acabar com essa guerra o mais rápido possível. Não vemos, no momento, sinais do lado russo de que estejam prontos para isso, para acabar com essa guerra. É por isso que temos que nos preparar para o inverno”, afirmou o presidente ucraniano. Ele enfatizou ainda as prioridades do momento: “o pacote de inverno não se resume apenas à energia, mas também à defesa aérea e ao financiamento”.

A gravidade do cenário no terreno foi evidenciada nos episódios mais recentes de agressão militar. Ataques com drones russos à cidade de Kharkiv mataram três pessoas, enquanto investidas em outros locais deixaram centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica.

Em entrevista à agência Reuters, o primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, disse que a União Europeia provavelmente terá que conceder um novo empréstimo à Ucrânia para ajudar a cobrir seu déficit orçamentário para o próximo ano. Ao analisar a crise humanitária e energética do país aliado, Michal declarou: “o inverno passado já foi um inferno; este será, mais uma vez, como um inferno”.

Michal reforçou a responsabilidade dos governos do continente na manutenção do suporte ao povo ucraniano. “Temos muitas lacunas a preencher, e essa é uma missão europeia: preencher as lacunas de que a Ucrânia precisa. Porque sempre, no início (e) no fim de toda conversa, as pessoas precisam ser lembradas de que estamos sentados em uma sala aquecida, com as luzes acesas, o aquecimento ligado, o café quente, e não podemos nos cansar da guerra na Ucrânia, porque eles estão lutando… por nós”, destacou o primeiro-ministro estoniano.

Paralelamente ao debate orçamentário e militar, a liderança da Ucrânia ficou alarmada com as interrupções no sistema de satélites Starshield, da SpaceX, utilizado por Kiev para comunicações no campo de batalha e operações com drones. Uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou na quinta-feira (15) que os receptores do Starshield estavam funcionando apenas a velocidades de até 160 km/h, o que complica severamente seu uso em missões militares.

Uma autoridade norte-americana negou que Trump tenha ordenado uma desaceleração deliberada do Starshield — que é a versão de nível militar do serviço Starlink operado pela SpaceX, de Elon Musk —, e o próprio Trump afirmou nesta semana que o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia continuava.

Apesar da apreensão no campo estratégico, a Europa não dispõe de uma alternativa pronta para o Starlink no momento, embora governos e empresas europeias estejam trabalhando em opções de longo prazo. A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, reconheceu a dependência do sistema: “A Starlink é realmente necessária para a Ucrânia. E, infelizmente, no curto prazo, a Europa não pode substituir essa capacidade”.

Kallas concluiu sinalizando os próximos passos diplomáticos do bloco econômico contra o Kremlin. “Estamos trabalhando em um novo pacote de sanções para pressionar a Rússia e, é claro, esperamos fazer isso em conjunto com todos os nossos parceiros ao redor do mundo”, acrescentou a autoridade europeia.

Fonte: Brasil 247

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