Líder da Autoridade Palestina adia eleições legislativas e marca votação presidencial para setembro de 2027

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Por José Reinaldo — Brasil 247

247 – O presidente palestino, Mahmoud Abbas, adiou as eleições legislativas previstas para novembro e convocou a votação presidencial para 11 de setembro de 2027, data em que também será escolhido o Parlamento. Segundo a Reuters, a decisão foi anunciada neste sábado (10), em um decreto que atribui o adiamento às restrições impostas por Israel e às condições de segurança nos territórios palestinos, especialmente na Faixa de Gaza.

O documento, divulgado pela agência oficial palestina WAFA, menciona “obstáculos impostos por medidas israelenses” e afirma que é necessário assegurar condições políticas, de segurança e de organização para realizar “eleições livres, justas e inclusivas”. Os palestinos não elegem um presidente desde 2005 nem realizam eleições legislativas desde 2006.

A mudança ocorre poucas semanas depois de Abbas reafirmar o calendário eleitoral de novembro em seu discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 24 de setembro. Na ocasião, o presidente buscava avançar com reformas apoiadas internacionalmente.

Restrições na Cisjordânia e crise em Gaza

Na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, o decreto aponta operações militares israelenses, expansão dos assentamentos, violência de colonos e restrições à circulação como fatores que dificultam a preparação do pleito. Também cita a retenção, por Israel, de receitas tributárias palestinas.

Para Gaza, o documento destaca “condições excepcionais de segurança e humanitárias”, além da retirada incompleta das forças israelenses e da falta de avanços na reconstrução. O texto também menciona a ausência de implementação dos arranjos para o envio de forças internacionais de estabilização e de policiais.

Segundo o decreto, limitações ao acesso de funcionários da comissão eleitoral e de observadores internacionais a Gaza e a Jerusalém Oriental prejudicaram os preparativos. A convocação prevê a participação de palestinos de Jerusalém, da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

Israel costuma impedir a Autoridade Palestina de organizar eleições em Jerusalém Oriental. O território foi ocupado por Israel na guerra de 1967 e posteriormente anexado, em uma medida que a maioria dos países não reconhece.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, rejeitou a justificativa de Abbas. Em uma publicação no X, lembrou que a última eleição palestina ocorreu há duas décadas e classificou as declarações do presidente como “mais uma mentira ridícula destinada a se esquivar da responsabilidade e da prestação de contas”.

Fatah e Hamas concordaram com adiamento, dizem autoridades

Duas autoridades palestinas disseram à Reuters, na quinta-feira, que representantes do Fatah, movimento liderado por Abbas, e do Hamas haviam concordado em adiar as eleições durante uma reunião realizada na quarta-feira, no Cairo.

O decreto afirma que a decisão foi tomada após consultas com facções e forças políticas palestinas. O prazo adicional também deverá permitir um diálogo nacional para fortalecer a unidade e enfrentar os obstáculos à realização da votação.

A divisão entre os dois movimentos permanece como um dos principais impasses políticos palestinos. Após as eleições de 2006, o Hamas assumiu o controle de Gaza e expulsou os aliados de Abbas. O presidente governa por decreto desde que seu mandato terminou, em 2009.

Uma pesquisa divulgada em agosto pelo Centro Palestino de Pesquisa Política e de Opinião Pública, sediado na Cisjordânia, mostrou queda no apoio tanto ao Hamas quanto ao Fatah. Segundo o levantamento citado pela Reuters, muitos palestinos de Gaza e da Cisjordânia responsabilizam os dois grupos pela continuidade da divisão política.

Compromisso eleitoral integra agenda de reformas

Abbas havia assumido, por escrito, o compromisso de realizar eleições presidenciais e legislativas perante o presidente da França, Emmanuel Macron, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. A promessa integrou o processo que levou ao reconhecimento francês de um Estado palestino, em setembro de 2025.

Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores francês afirmou que a realização das eleições era essencial e saudou o lançamento de uma missão de observação eleitoral da União Europeia.

Apesar da ausência de eleições nacionais há duas décadas, a Autoridade Palestina promoveu votações municipais em abril na Cisjordânia e em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza. Única cidade do enclave a participar daquele pleito, Deir al-Balah recebeu a primeira eleição realizada em Gaza desde 2006.

Fonte: Brasil 247

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