Leilão de imóveis crescem no Brasil e se tornam alternativa de investimento

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Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 15:43

Guilherme Marques

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A busca por renda extra deixou de ser só uma resposta ao aperto no orçamento. Para uma fatia crescente de brasileiros, ela virou parte de um projeto maior: diversificar fontes de renda e construir patrimônio. É nesse movimento que o leilão de imóveis tem ganhado espaço como alternativa de investimento, especialmente por causa dos preços. 

Isso porque, os imóveis de leilão podem sair com descontos de até 70% em relação ao mercado tradicional. A própria Caixa, inclusive, disponibiliza uma página oficial com os imóveis organizados por Estado, além do calendário de leilões e materiais de orientação ao arrematante. 

“O leilão de imóveis está deixando de ser um investimento de nicho, antes muito concentrado em advogados e pessoas do mercado imobiliário, e está se tornando uma tese de investimento para pessoas comuns. Essas pessoas perceberam que é possível comprar imóveis com descontos muito expressivos e utilizar estratégias de revenda ou locação”, explica Thaisline Silva, especialista em crédito imobiliário com atuação no mercado de leilões da Caixa. 

Mas a diferença de preço é apenas uma parte da decisão. Segundo ela, o comprador precisa entender a modalidade da venda e todas as nuances. “O imóvel de leilão não precisa ser visto como algo difícil ou cheio de pegadinhas. Mas ele tem regras. Quando a pessoa aprende a ler o edital, entende a forma de pagamento e faz a análise de crédito antes, o processo fica muito mais claro”, acrescenta.

A especialista reforça que o caminho não deve ser visto como fórmula rápida de enriquecimento, mas como uma possibilidade de construir um negócio sólido e lucrativo para quem estuda o processo.

“Tem que saber o que procurar. O edital mostra as regras, a matrícula mostra a história do imóvel e o crédito mostra se aquela oportunidade cabe na realidade da pessoa”, afirma. 

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Cuidados na hora de comprar

Vale destacar que, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Arrematantes de Imóveis (Abraim), apenas no primeiro semestre de 2025, foram registrados 116,6 mil negócios em leilões de imóveis no país, um aumento de 25,1% em relação ao mesmo período de 2024. 

Apesar das oportunidades de compra, Gilmar Custódio, vice-presidente jurídico da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES), alerta que esse tipo de negócio exige atenção em todas as etapas, desde a escolha do leilão até a transferência do imóvel. 

Confira as dicas: 

01

Confira se o leilão é oficial

Antes de fazer qualquer lance, o primeiro passo é verificar se o site e o leilão são legítimos. O crescimento desse mercado também atraiu fraudes, com páginas falsas que simulam plataformas de leilão e podem induzir o interessado a realizar pagamentos por imóveis que não estão realmente à venda. 

Por isso, Gilmar Custódio recomenda confirmar a procedência do leilão, o leiloeiro responsável e a instituição proprietária do imóvel antes de qualquer pagamento.

02

Leia o edital e analise os documentos

Outro cuidado fundamental é a análise da documentação. O interessado deve consultar o edital e os documentos disponibilizados pelo leiloeiro, verificando informações como matrícula, condições de venda e eventuais débitos relacionados ao imóvel.

O edital reúne as regras do procedimento e deve ser lido antes da apresentação do lance. Em regra, o arrematante não responde por determinados débitos anteriores do imóvel, mas a situação deve ser verificada individualmente antes da compra, afirma o especialista.

03

Questões de desocupação

A situação de ocupação também deve entrar na conta e exige grande atenção do arrematante. O imóvel pode estar ocupado pelo antigo proprietário ou por terceiros, o que pode exigir negociação para a desocupação ou até mesmo uma medida judicial.

Nos casos de imóveis submetidos à alienação fiduciária, a legislação prevê mecanismos para que o arrematante possa buscar a imissão na posse. 

Segundo Gilmar, quando o ocupante não deixa o imóvel voluntariamente, pode ser necessário recorrer à Justiça. “Em determinados casos, o ocupante também pode estar sujeito ao pagamento de uma taxa pela permanência no imóvel, conforme as regras aplicáveis ao caso”, reforça.

04

Calcule o custo total

E atenção: o valor anunciado no leilão não representa necessariamente o custo final da aquisição. Além do lance, o comprador pode ter despesas com comissão do leiloeiro, impostos, cartório, registro, regularização do imóvel e, em alguns casos, contratação de advogado. “Quem vai comprar [deve] levar em consideração os custos que vai ter que arcar”, orienta o especialista.

Por fim, Custódio indica que buscar orientação especializada antes de participar do leilão pode ajudar o interessado a identificar problemas na documentação e calcular com mais precisão as despesas envolvidas na operação.

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