Lavrov critica postura dos EUA sobre o Irã e alerta para guerra regional

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, criticou neste domingo (18) a postura dos Estados Unidos diante do conflito com o Irã e advertiu que o Oriente Médio enfrenta o risco de uma guerra de grandes proporções. Durante visita ao Bahrein, o chanceler afirmou que as declarações e ações do governo do atual presidente estadunidense, Donald Trump, não favorecem uma solução diplomática e defendeu o cumprimento dos compromissos firmados entre Washington e Teerã. Segundo a Sputnik Brasil, o chanceler abordou a guerra na Ucrânia, responsabilizou o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, pelos obstáculos às negociações de paz e comentou as relações comerciais entre Rússia e EUA.

As declarações ocorreram durante a nona rodada do diálogo estratégico entre a Rússia e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), realizada no Bahrein. De acordo com a Sputnik Brasil, o ministro russo participou de reuniões com o rei Hamad bin Isa al-Khalifa e com o ministro das Relações Exteriores do país, Abdullatif bin Rashid Al Zayani.

Na coletiva de imprensa após os encontros, Lavrov defendeu uma abordagem diplomática baseada no direito internacional e no respeito entre os países para enfrentar as tensões no Oriente Médio.

Lavrov questiona declarações de Trump sobre o Irã

O chanceler russo criticou a retórica adotada pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação às operações militares norte-americanas contra o Irã. Durante a entrevista, Lavrov mencionou declarações nas quais Trump afirmou que os Estados Unidos “destruíram toda a liderança do Irã” em diferentes ocasiões.

Para o ministro russo, esse tipo de posicionamento dificulta os esforços de negociação e compromete as possibilidades de entendimento entre os países envolvidos na crise.

“Provavelmente, esta não é uma abordagem que possa ajudar uma região distante a buscar os mesmos acordos que o meu amigo [ministro das Relações Exteriores do Bahrein] disse agora – com base no respeito mútuo, com base no direito internacional”, comentou Lavrov.

Rússia alerta para risco de guerra no Oriente Médio

O ministro das Relações Exteriores afirmou que a situação no Oriente Médio se aproxima de um confronto militar de grandes proporções. Na avaliação apresentada por Lavrov, uma solução duradoura exige que os países envolvidos enfrentem os fatores que alimentam as tensões na região, principalmente no estreito de Ormuz e em suas proximidades.

A passagem marítima concentra parte das preocupações relacionadas à segurança regional e às relações entre o Irã, os Estados Unidos e outros países que acompanham os desdobramentos do conflito.

O chanceler russo argumentou que a estabilização depende de iniciativas capazes de eliminar as causas da crise, em vez de ampliar os confrontos. Lavrov também ressaltou a importância dos compromissos diplomáticos firmados entre Washington e Teerã. Segundo ele, os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã precisam implementar o entendimento alcançado no âmbito do chamado Memorando de Islamabad.

O ministro considera o cumprimento desse acordo uma condição necessária para avançar na resolução das tensões e restabelecer a estabilidade regional. A defesa do memorando integra a posição apresentada por Moscou durante os encontros diplomáticos no Bahrein, nos quais o governo russo abordou questões de segurança e cooperação com os países do Conselho de Cooperação do Golfo.

Lavrov acusa Zelensky de bloquear negociações sobre a Ucrânia

Além do conflito envolvendo o Irã, o chefe da diplomacia russa abordou a guerra na Ucrânia e voltou a responsabilizar o presidente Vladimir Zelensky pelas dificuldades nas negociações.

Durante a reunião em Manama, capital do Bahrein, Lavrov afirmou que o governo ucraniano não demonstra disposição para alcançar um entendimento político com Moscou. “Temos apenas uma conclusão: Zelensky não quer negociações. Ele já as quebrou mais de uma vez, inclusive depois de dezembro de 2019, quando a reunião ocorreu em Paris”, disse Lavrov.

O chanceler fez referência às iniciativas diplomáticas anteriores ao conflito atual, incluindo as discussões sobre a implementação dos Acordos de Minsk. Segundo sua avaliação, os compromissos assumidos nas negociações de dezembro de 2019 não produziram os resultados esperados.

O ministro também mencionou uma reunião trilateral realizada posteriormente em Abu Dhabi. O ministro afirmou que os participantes não conseguiram avançar após o encontro e rejeitou a responsabilidade russa pelo impasse.

Chanceler russo critica posição de países europeus

O ministro também dirigiu críticas aos governos europeus por sua atuação no conflito entre Rússia e Ucrânia. Lavrov acusou países da Europa de incentivar ataques ucranianos contra a infraestrutura russa e afirmou que essas iniciativas buscam preservar o governo de Zelensky.

Segundo o chanceler, o apoio europeu às ações militares de Kiev contribui para dificultar os esforços destinados a alcançar uma solução negociada. O representante de Moscou relacionou essa postura às divergências entre a Rússia e os países europeus sobre os caminhos para encerrar o conflito.

Acordo de diesel entre Rússia e EUA provoca divergências

Outro assunto abordado pelo chanceler foi o entendimento entre Moscou e Washington sobre o fornecimento de derivados de petróleo, incluindo diesel. Lavrov afirmou que as negociações comerciais envolvendo os dois países dizem respeito exclusivamente às relações entre Rússia e EUA. O ministro rejeitou as críticas europeias ao entendimento e contestou a posição atribuída ao presidente ucraniano, segundo a qual Kiev deveria participar das decisões sobre as exportações russas.

“Se a União Europeia acredita que isso é uma traição à Ucrânia, e o próprio Zelensky declara que a questão da exportação de diesel russo deve ser resolvida com ele, porque só ele pode dar permissão, isso não é mais do campo da segurança energética. É do campo da auto-ostentação e de mais uma palhaçada”, disse.

Moscou defende diálogo diplomático e mantém negociações com Washington

As declarações de Lavrov no Bahrein reuniram três questões da política externa russa: as tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, a busca de uma solução para a guerra na Ucrânia e as relações econômicas entre Moscou e Washington. No caso iraniano, o chanceler defendeu a implementação do Memorando de Islamabad e o respeito ao direito internacional como fundamentos para reduzir os confrontos.

De acordo com a Ucrânia, reiterou as acusações contra Zelensky e os governos europeus, atribuindo a eles obstáculos ao avanço das negociações. No campo energético, sustentou que Rússia e Estados Unidos possuem autonomia para discutir acordos comerciais relacionados ao fornecimento de petróleo e derivados.

As posições apresentadas pelo ministro durante a reunião com representantes do Conselho de Cooperação do Golfo refletem a tentativa de Moscou de manter canais de diálogo sobre segurança regional e relações internacionais, ao mesmo tempo em que busca avançar nas negociações comerciais com Washington.

Fonte: Brasil 247

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