Krugman critica Bessent por fracasso em conter juros dos EUA

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Por Tatiane Correia — GGN

A atuação do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, diante da alta dos juros de longo prazo no país foi alvo de críticas do economista norte-americano Paul Krugman, destacando que as tentativas do secretário em influenciar o mercado de títulos americanos não produziram o resultado esperado e associou o movimento à política econômica e externa do governo de Donald Trump.

Em artigo divulgado em seu mailing, Krugman afirma que Bessent chegou ao governo Trump com uma reputação de experiência no mercado financeiro. O economista cita uma avaliação de Jason Furman, ex-chefe do Conselho de Assessores Econômicos de Barack Obama, segundo a qual Bessent seria um secretário do Tesouro “credível” e com conhecimento da economia global.

Entretanto, o vencedor do Nobel de Economia afirma que essa reputação vem sendo afetada pela atuação do secretário. O economista retoma um episódio ocorrido no início de setembro, quando Bessent afirmou, ao comentar sua atuação sobre o iene japonês, “I am the house now” — “agora eu sou a banca”, em tradução livre — e desafiou investidores a apostar contra sua posição. O episódio também foi noticiado pela imprensa financeira à época.

Tentativa de reduzir juros longos

Krugman também destaca a estratégia do Tesouro americano para tentar reduzir as taxas de juros de longo prazo por meio da compra de títulos de 30 anos, comparando a operação a uma tentativa de reduzir parte de uma dívida assumindo outra dívida e questiona a capacidade do Tesouro de controlar as taxas em um mercado muito maior do que a capacidade de intervenção do governo.

A dificuldade ganhou dimensão nos últimos dias. Dados do Departamento do Tesouro dos EUA mostram que os rendimentos dos títulos americanos de longo prazo permaneceram elevados em setembro. No dia 18, por exemplo, o rendimento do Treasury de 30 anos estava em torno de 4,41%, enquanto o título de 10 anos estava próximo de 4,27%.

Para Krugman, o movimento recente dos juros está relacionado, em parte, à elevação dos preços do petróleo depois que Trump rejeitou uma proposta iraniana para encerrar a guerra.

O economista argumenta que o petróleo permanece caro apesar de parte da produção estar sendo transportada pelo Estreito de Ormuz em operações noturnas e embarcações menores. Segundo Krugman, a necessidade de transferir posteriormente esse petróleo para navios maiores criou um gargalo no transporte marítimo. Krugman cita dados segundo os quais cerca de 15% dos grandes navios petroleiros estariam parados diante da costa de Omã aguardando carregamento.

A consequência, segundo o economista, é que a combinação entre petróleo e derivados mais caros mantém a pressão inflacionária. Isso pode limitar o espaço para uma redução dos juros de curto prazo pelo Federal Reserve e, por consequência, alimentar as taxas de longo prazo.

Bessent prevê forte pressão sobre economia iraniana

Outro ponto destacado por Krugman é a previsão feita por Bessent de que a economia iraniana poderia ficar sem recursos para negociar em aproximadamente duas semanas.

O secretário do Tesouro afirmou que o Irã teria cerca de 15 milhões de barris de petróleo ainda destinados à entrega e que, depois disso, o país poderia ficar sem capacidade de comercialização. A declaração foi divulgada no fim de semana.

Krugman reconhece que as restrições às exportações de petróleo estão provocando forte pressão sobre a economia iraniana, mas questiona a conclusão de que esse estrangulamento levará rapidamente a um acordo que permita a Trump apresentar o resultado como uma vitória.

Para Krugman, o problema central para Bessent é que o Tesouro não controla sozinho os fatores que determinam os juros de longo prazo. A inflação, as expectativas para a política monetária do Federal Reserve, o preço do petróleo e as condições internacionais de financiamento também influenciam o mercado.

O economista sustenta que Bessent poderia ter dificuldades para reduzir os juros mesmo em condições mais favoráveis e que a política externa de Trump tornou esse objetivo ainda mais difícil.

A crítica ocorre enquanto o governo americano mantém sua campanha de pressão econômica contra o Irã. Nesta terça-feira (29), o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra dez pessoas e entidades acusadas de auxiliar o Ministério da Defesa iraniano na aquisição de armas e componentes.

Fonte: GGN

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