Kassio protege Flávio, que promete proteger Kassio
Por Ricardo Mezavila — Brasil 247
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, vem adotando uma postura cada vez mais parcial nas decisões eleitorais: sistematicamente atende aos pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro e bloqueia ou prejudica ações da campanha de Lula, num momento em que ele próprio é alvo de investigações ligadas ao banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master. As decisões chamaram a atenção em poucos dias: suspendeu vídeo petista que citava a relação de Flávio com o caso; derrubou o canal “Exército de Lula” com milhões de seguidores, medida depois revogada; proibiu pesquisa que apontava queda do candidato bolsonarista; e manteve no ar ataques agressivos de Flávio ao presidente, classificando-os como “retórica aceitável”.
O que torna tudo ainda mais grave é que o próprio Kassio aparece no cerne das apurações, com detalhes que chocam. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro revelam que o banqueiro teria organizado e pago um encontro com uma garota de programa para o ministro, no valor de R$ 10 mil, em um apartamento de luxo no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. As conversas mostram a cobrança feita após o encontro e o pagamento providenciado por Vorcaro. O imóvel onde tudo ocorreu pertenceu a uma empresa ligada ao círculo do banqueiro, avaliada em R$ 50 milhões.
Não para por aí: a relação entre o ministro e o banqueiro inclui ainda hospedagem em mansão de luxo no Joá, no Rio, durante o Carnaval de 2025, custeada por cerca de R$ 1,45 milhão; viagem em jato particular fornecido por Vorcaro; um contrato de advocacia de R$ 427 milhões ligado a pessoas próximas ao ministro, com o objetivo de destravar bilhões em precatórios; e repasses mensais de R$ 500 mil ao filho de Kassio. Tudo isso sob suspeita de ser um vasto esquema de compra e venda de favores e decisões judiciais — o ministro nega todas as acusações.
A conclusão que se impõe é clara e preocupante: ao blindar Flávio de perguntas e exposição sobre suas próprias ligações com Vorcaro, Kassio não age apenas em favor de um candidato. Ele protege a si mesmo. Se Flávio vencer, as investigações que envolvem o presidente do TSE podem ser paralisadas, minimizadas ou simplesmente arquivadas. A pergunta que não quer calar é simples e direta: quem comanda a Justiça Eleitoral neste momento está julgando com imparcialidade — ou está comprando, com decisões, a própria sobrevivência diante de um escândalo que pode levá-lo à cadeia?
Fonte: Brasil 247