Kassio Nunes arbitra sobre eleições e veta jingle de Lula que associa Flávio Bolsonaro à Vorcaro

0

Por Redação — Esquerda Diário

ertgerg.jpg?1790623613

A poucos dias do primeiro turno, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, decidiu suspender liminarmente um jingle da campanha de Lula que associa Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master, às suspeitas de rachadinha e à compra de imóveis em dinheiro vivo. Trata-se de uma ingerência sobre as eleições para favorecer a campanha da extrema-direita. Que os juízes sejam eleitos, tenham mandatos revogáveis e recebam como uma professora!

A peça, exibida sete vezes no rádio entre 28 e 31 de agosto, repetia o refrão “Foi o Flávio Bolsonaro” e mencionava, entre outros episódios, o pedido de R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Nunes Marques alegou que a propaganda poderia induzir o eleitor a erro por reunir denúncias, investigações e fatos com diferentes situações jurídicas sem informar seus desfechos. A decisão provisória, que ainda deverá passar pelo plenário do TSE, intervém diretamente sobre aquilo que pode ou não ser dito durante a disputa eleitoral a respeito dass relações da família Bolsonaro com Vorcaro.

O próprio Kassio aparece no emaranhado de relações revelado a partir do celular de Vorcaro. Reportagens sobre o material apreendido pela Polícia Federal apontaram conversas a respeito de pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, além de benefícios destinados a pessoas de seu círculo.

Kassio, junto a André Mendonça, vem arbitrando para que os holofotes das investigações do caso Master saiam de cima de Flávio Bolsonaro, agora negando até mesmo que Lula faça campanha em torno disso. Foi esse o objetivo de Mendonça ao vazar as conversas de Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, ministro que aparece na opinião pública como aliado do governo.

Tudo isso expressa como novamente o Judiciário se utiliza de um acúmulo de poderes extraordinários para arbitrar a vida política e sobre o jogo eleitoral. Basta lembrar que, em 2018, o conjunto do STF, inclusive Moraes, negou o habeas corpus de Lula e impôs sua prisão sem provas, para facilitar que a direita ganhasse a eleição, abrindo caminho para Jair Bolsonaro ser eleito como filho ilegítimo do golpe de 2016.

Não se trata, portanto, de escolher uma ala ou outra desse STF que está todo metido no escândalo Master e que, como sempre alertamos, jamais foi um aliado no combate à extrema-direita. Em que pesem as disputas políticas, o STF e o bolsonarismo compartilham do mesmo programa neoliberal de ataques brutais aos trabalhadores e aos serviços públicos, não à toa ambos faziam parte da rede de relações espúrias de Vorcaro e sendo parte de fazer do regime uma República de Banqueiros.

A disputa judicial no STF em meio às eleições e principalmente medidas arbitrárias como a de Kassio Nunes só podem ser combatidas com os trabalhadores apontando uma saída política própria. Uma saída que não questione somente os jogadores, mas todo esse regime político podre, combatendo os privilégios e superpoderes do STF, fazendo com que eles sejam elegíveis e tenham seus mandatos revogáveis pelo sufrágio universal, assim como que eles recebam o mesmo salário de uma professora da rede pública.

Essa medida, defendemos que seja parte dos debates de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta, que debata os principais problemas dos trabalhadores, como a revogação da 6×1, das reformas neoliberais, assim como o controle sobre as terras raras e outras riquezas, ou mesmo direitos fundamentais como o aborto legal.

É alentador que os bancários da Caixa estejam mantendo uma forte greve por sua saúde e salários, pois essa categoria será parte fundamental para desmontar essa República de Banqueiros. Através da estatização dos bancos e do comércio exterior, é possível tirar o controle do sistema financeiro das mãos de burgueses como Vorcaro e principalmente dos grandes agentes do imperialismo e colocar nas mãos dos bancários, para colocar a Caixa e demais bancos a serviço das necessidades da população.

Fonte: Esquerda Diário

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *