Karina Gama, produtora de Dark Horse, diz sofrer pressão para delatar: ‘não serei novo Mauro Cid’

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Por João Antonio CunhaBrasil 247

247 – A produtora Karina Gama, alvo da Operação Make Up, da Polícia Federal, afirmou que se sente pressionada a fazer uma delação premiada, mas disse não ter informações que possam incriminar outras pessoas. As declarações foram dadas à CNN Brasil.

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga o suposto desvio de emendas parlamentares para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).

Karina negou irregularidades e afirmou que os contratos firmados por suas empresas possuem cláusulas de sigilo e confidencialidade. Neste domingo (13), Dino autorizou a quebra do sigilo fiscal da empresária e do Instituto Conhecer Brasil (ICB), do qual ela é proprietária.

O ICB possui um contrato de R$ 157 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de wi-fi na cidade. Segundo a investigação, há suspeita de que parte dos recursos tenha sido desviada para a Go Up Entertainment, empresa responsável pelo filme e também pertencente a Karina.

Pressão por delação

Segundo a produtora, ela foi procurada por um advogado e por um pastor que ofereceram ajuda caso decidisse fazer uma delação. Karina afirmou que pretende colaborar com as investigações, desde que os procedimentos legais sejam respeitados.

Ela também relatou ter recebido ameaças, que, segundo seu relato, teriam partido de pessoas com as quais manteve relações pessoais e profissionais. A produtora disse ter a sensação de que poderia ser colocada na posição ocupada pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, cuja delação contribuiu para a condenação do ex-mandatário na ação sobre a trama golpista.

“Quando você me pergunta a minha sensação da operação e da condução das investigações, eu entendo que é como se eu fosse o próximo Mauro Cid. Que eu preciso incriminar pessoas”, afirmou. Na sequência, Karina rejeitou a possibilidade de assumir esse papel e disse não ter elementos contra terceiros.

“Não vou [ser o próximo Mauro Cid] […] porque eu não tenho como incriminar ninguém. Eu não tenho, eu não vi, eu não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme”, disse.

A empresária também classificou como “censura” uma eventual tentativa de impedir a distribuição de “Dark Horse”. Ela afirmou que já foi eleitora de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atribuiu as dificuldades enfrentadas a preconceito, ganância e perseguição política.

“Eu fico numa situação que me deixa com medo. Porque eu não estou falando do projeto, eu tenho que falar o que querem ouvir, senão vão fazer da minha vida um inferno. Senão vão misturar tudo da minha vida e vão falar que é a mesma coisa”, declarou. “Eu não fui contratada para captar recursos. Eu fui contratada para produzir”, completou.

Relação com Vorcaro

Além da investigação conduzida por Dino, o STF também apura, sob relatoria do ministro André Mendonça, repasses feitos por Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL).

À CNN Brasil, Karina negou que “Dark Horse” tenha recebido recursos de emendas parlamentares e afirmou não ter mantido relação direta com Vorcaro, ex-banqueiro que está preso por fraude relacionada aos negócios do Banco Master.

Segundo a produtora, o investidor inicial do projeto foi o fundo Havengate. Ela afirmou que o orçamento foi reformulado depois da decupagem do roteiro e que o fundo realizou uma “due diligence” sobre a produtora e seus responsáveis.

Karina também declarou que não fazia parte de suas atribuições verificar a origem dos recursos utilizados pelo Havengate. “Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era [ser] contratada do fundo”, afirmou.

“O fundo me validou, aprovou meu projeto, aprovou o orçamento, agora eu vou produzir”, disse. A produtora disse ainda que os problemas financeiros para bancar o filme começaram no fim de 2025, quando a produção já estava em andamento e contava com uma estrutura significativa.

De acordo com ela, o projeto consumiu US$ 13,3 milhões, todos provenientes de recursos privados. “Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro”, declarou.

Karina afirmou ter tomado conhecimento do nome da empresa investidora do fundo por meio da imprensa.

Experiência anterior

Karina Gama não tinha experiência anterior no setor cinematográfico antes de assumir a produção de “Dark Horse”. Sua trajetória profissional era principalmente ligada ao terceiro setor.

Nos últimos anos, ela passou a fechar contratos de valores elevados com a Prefeitura de São Paulo, diversificou suas atividades empresariais e abriu uma holding em Aracaju. A aproximação com o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista de “Dark Horse”, também ocorreu nesse período. Frias foi outro alvo da Operação Make Up.

Segundo delação premiada homologada nesta semana por André Mendonça, o doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior relatou ter realizado sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate. De acordo com o relato, os pagamentos ocorreram sob ordens de Vorcaro e após solicitações de Flávio Bolsonaro. Karina negou qualquer relação entre o fundo, a produtora e o ex-banqueiro.

Fonte: Brasil 247

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