Justiça revoga prisão de suspeito de matar mulher para “expulsar demônios” na Serra
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Publicado em 23 de Setembro de 2026 às 10:16
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A Justiça revogou a prisão preventiva de Bryan Fernando Gimenez Souza, investigado pela morte de Marceli de Oliveira Gottardo em junho deste ano, em Jardim Limoeiro, na Serra. A decisão, assinada em 19 de agosto pela juíza Cristina Eller Pimenta Bernardo, estabeleceu como medida cautelar a proibição do suspeito deixar a comarca, ou seja, o município.
Segundo as informações que constam do processo, após o consumo de LSD e cocaína, Bryan teria agredido Marceli dentro do apartamento onde os dois estavam. Ele teria dito que a vítima estava “possuída por demônios” e que as agressões tinham como objetivo “expulsar a entidade”.
Vizinhos relataram ter ouvido gritos de dor da vítima durante um período prolongado. Quando entraram no imóvel para prestar socorro, encontraram Marceli caída, convulsionando, com hematomas no rosto, sangramento no ouvido e marcas no pescoço compatíveis com esganadura.
Na decisão, a magistrada afirmou que os elementos reunidos durante a investigação não permitem afastar a possibilidade de que Bryan tenha tido intenção de matar ou, no mínimo, assumido o risco de provocar a morte.
A juíza destacou os sucessivos golpes, os indícios de esganadura e a condição de extrema vulnerabilidade da vítima no momento das agressões. A causa da morte foi hemorragia intracraniana provocada por traumatismo cranioencefálico por meio contundente.
A magistrada também afirmou que a alegação de que as agressões tinham como finalidade “expulsar demônios”, somada ao consumo voluntário de drogas, não permite, nesta fase, concluir que o caso seria apenas de lesão corporal seguida de morte ou homicídio culposo.
Apesar da gravidade do caso, a juíza entendeu que a prisão preventiva poderia ser substituída por uma medida cautelar.
A decisão cita a possibilidade de aplicação de medidas alternativas à prisão e conclui que, no momento, é suficiente determinar que Bryan não deixe a comarca. Com isso, a prisão preventiva foi revogada e foi expedido alvará de soltura.
Em caso de descumprimento da determinação judicial, a decisão prevê que a prisão preventiva poderá ser decretada novamente.
Além de analisar a prisão, a decisão trata da competência para julgar o caso.
A 5ª Vara Criminal da Serra entendeu que existem indícios suficientes de um possível crime doloso contra a vida e, por isso, considerou que o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri.
A reportagem procurou a defesa de Bryan e o espaço segue aberto para manifestações.
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