Justiça proíbe Luciano Hang de fazer propaganda eleitoral dentro da Havan

0

Por Maiara Marinho — Carta Capital

Menu

O empresário também está obrigado a gravar um vídeo de retratação após discurso em que classificou o fim da escala 6×1 de ‘estelionato eleitoral’

A juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, Glenda Maria Coelho Ribeiro, determinou que o controlador das lojas Havan, Luciano Hang, se abstenha de fazer propaganda eleitoral nas dependências da empresa.

Além disso, ficou estabelecido que a rede varejista deve liberar, nos dias do primeiro e do segundo turno das eleições, 4 e 25 de outubro, respectivamente, todas as pessoas escaladas para trabalhar, sendo proibida a designação de escala que discrimine em razão de manifestação política.

Luciano Hang deverá fixar, em todos os estabelecimentos espalhados pelo País, um comunicado informando o teor da decisão e frisando, entre outras coisas, que “todas as pessoas que lhe prestam serviços são inteiramente livres para formar a própria convicção sobre qualquer proposta legislativa, candidatura ou partido e para votar como entenderem, e que nenhuma escolha política acarretará consequência alguma no contrato de trabalho”.

A manifestação foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho em decorrência de discurso proferido pelo empresário no dia 28 de agosto, na inauguração da filial da rede em Caldas Novas/GO, perante pessoas admitidas havia poucos meses e reunidas em razão do vínculo de trabalho.

Na ocasião, Hang classificou a proposta legislativa de extinção da escala 6×1 de “estelionato eleitoral” . Ele também associou o voto “em outubro” à perda de poder de compra e ao “subemprego” .

Diante da decisão do TRT, o empresário deve responder por assédio eleitoral, abuso do poder diretivo, propaganda política em ambiente de trabalho e discriminação por convicção política.

O Ministério Público do Trabalho pediu a retratação pública em vídeo, a abstenção de manifestação político-eleitoral em ambiente de trabalho e o pagamento a indenização por danos morais coletivos no valor de 30 milhões de reais, além da garantia do exercício do voto nos dias 04/10/2026 e 25/10/2026

O pedido de retratação em vídeo será analisado apenas após decorrido o prazo de 5 dias úteis para Luciano se manifestar sobre os pedidos.


Maiara Marinho

Repórter de CartaCapital baseada em Brasília, cobrindo o Poder Judiciário. Possui menção honrosa pela Agência LivreJor e mestrado em Comunicação e Cultura na UFRJ. Publicações em Le Monde Diplomatique Brasil, UOL e Repórter Brasil.

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.


Desenvolvido por OKN Technology Agency

Fonte: Carta Capital

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *