Justiça faz primeira audiência sobre morte em rope jump em Limeira
Por Laís Gouveia — Brasil 247
247 – A Justiça de São Paulo realiza nesta quinta-feira (17) a primeira audiência de instrução do processo sobre a morte em rope jump de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira, no interior paulista. O caso tem quatro réus acusados de homicídio qualificado após a jovem cair de uma altura de cerca de 40 metros sem estar conectada ao sistema de segurança.
Segundo informações da CNN Brasil, nesta primeira audiência devem ser ouvidas apenas testemunhas de acusação. De acordo com a defesa de um dos réus, não há previsão de que Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves prestem depoimento nesta quinta-feira.
A audiência faz parte da fase de produção de provas do processo. Nesse estágio, acusação e defesas podem apresentar elementos e questionar testemunhas sobre as circunstâncias da morte, enquanto o Judiciário reúne informações que serão consideradas nas etapas posteriores da ação penal.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Limeira em agosto. Os quatro acusados respondem pelo episódio ocorrido em 13 de junho, quando Maria Eduarda contratou a empresa Entre Cordas para realizar a atividade esportiva conhecida como rope jump.
De acordo com a investigação, a jovem foi preparada para o salto e lançada da estrutura pelos profissionais responsáveis pela atividade. Depois que ela já havia sido projetada, porém, foi constatado que Maria Eduarda não estava presa aos equipamentos que deveriam interromper sua queda.
Testemunhas registraram em vídeo o momento do acidente. Nas imagens, pessoas que acompanhavam a atividade percebem que a jovem não estava conectada ao sistema de segurança e começam a gritar.
Após a queda, pessoas que estavam no local realizaram manobras de reanimação cardiopulmonar até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Maria Eduarda, entretanto, morreu no local. A causa da morte foi apontada como politraumatismo.
Investigação apontou falhas de segurança
Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves trabalhavam como instrutores da Entre Cordas e foram indiciados por homicídio qualificado.
Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada pela investigação como responsável pela empresa, também foi indiciada por homicídio qualificado e por fraude processual. Segundo a apuração policial, houve uma tentativa de eliminar uma câmera que estava presa ao corpo de Maria Eduarda, o que teria como objetivo dificultar as investigações.
A polícia apurou ainda que Evelyne era responsável por atividades como logística, captação de clientes e divulgação comercial do negócio. Na avaliação dos investigadores, por exercer essa função, ela também tinha o dever de garantir os “padrões mínimos de segurança” adotados pelos instrutores durante os saltos.
Os profissionais que estavam no local prestaram depoimentos à polícia, mas, segundo a investigação, não conseguiram esclarecer como ocorreu a falha que permitiu que Maria Eduarda fosse lançada sem estar conectada ao sistema de proteção.
Dois inquéritos foram realizados para apurar o caso. As investigações concluíram pela existência de elementos para responsabilizar os quatro envolvidos e apontaram indícios dos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.
O Ministério Público apresentou denúncia contra os quatro no início de julho, menos de um mês depois da morte. A acusação sustenta que houve homicídio com dolo eventual, entendimento segundo o qual os envolvidos conheciam os riscos inerentes à atividade, mas teriam deixado de adotar medidas necessárias para impedir o resultado fatal.
A tese será examinada ao longo do processo, e caberá à Justiça decidir sobre a responsabilidade criminal de cada acusado após a conclusão da instrução e das demais etapas previstas no procedimento judicial.
Fonte: Brasil 247